02 maio 2010

HUMOR: SOU PC

Eles me convenceram. O movimento politicamente correto é uma realidade justa, crescente e irreversível. Abracei a causa PC prá valer. Nem poderia ser diferente, não tem como aderi-la pela metade. A partir de hoje, sou PC.

Começo por uma rigorosa revisão, para fazer justiça às discriminações do passado e repor tudo que se cunhou e intitulou com expressões contaminadas.

Em tempo: as editoras e os autores dos títulos abaixo ficam convidados a providenciar as correções.

A coisa está preta.
A coisa está significativamente pior.
Atirei o pau no gato-to.
Atirei um beijinho para o gato-to.
O cravo ficou ferido/e a rosa despedaçada.
O cravo ficou dolorido/e a rosa muito magoada.
Marcha soldado/cabeça de papel/se não marchar direito/vai preso pro quartel.
Marcha soldado/futuro coronel/conheça seu direito/trabalhista no quartel.
O homem é o senhor de si mesmo.
O homem, a mulher, o homossexual, a homossexual, o bissexual, a bissexual, o transgênero e a transgênero são senhores e senhoras de si mesmos.
O velho e o mar, de-Ernest Hemingway.
O senhor da melhor idade e o mar, de Ernest Hemingway.
Ali Babá e os quarenta ladrões.
Ali Babá e as quarenta vítimas de desigualdades sociais.
Ataque terrorista.
Ação contundente de grupo que luta pelos seus ideais.
Gorda, comédia com Fabiana Karla.
Mulher com Índice de Massa Corporal supra-mediana, comédia com Fabiana Karla.
Como era boa a nossa empregada, comédia brasileira de 1973.
Como era esbelta a nossa secretária do lar, comédia brasileira de 1973.
Novela A feia mais bela.
Novela A deficiente estética que é a mais bela.
Branca de neve e os sete anões.
Caucasiana de neve e os sete deficientes verticais.
Preto Velho, sucesso de Tião Carreiro e Pardinho.
Homem afrodescendente na terceira idade, sucesso de Tião Carreiro e Pardinho.
Nega do cabelo duro, sucesso de Elis Regina.
Afrodescendente do sexo feminino do cabelo rijo, sucesso de Elis Regina.
Memória de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Márquez.
Memória de minhas coitadas vítimas de injustiças sociais que vendem o corpo no desespero da subsistência tristes, de Gabriel Garcia Márquez.

(Escrito por Ricardo Zani)

Nenhum comentário: