24 fevereiro 2007

NA INTIMIDADE DO "REI"



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Aos que não o conhecem ou não o admiram como artista, peço licença, mas quero falar algo sobre um dos nomes mais respeitados da música no Brasil. Roberto Carlos, atual ou ultrapassado, de bom gosto ou não, o fato é que teve e continua tendo o status de "rei".

Hoje (sábado) circulou a notícia de que a Justiça finalmente atendeu pedido dos seus advogados e mandou suspender a venda do livro "Roberto Carlos em Detalhes", com minuciosa biografia (não autorizada) do cantor. Particularmente, acho que essa briga é um grande equívoco de marketing da assessoria de Roberto Carlos.

Ora, se o livro é sério, escrito e publicado com aparente responsabilidade e profissionalismo, a briga para proibi-lo só aguça a curiosidade do público e amplia a repercussão em torno do caso.

Tudo bem, a biografia revela detalhes (muitos!!) que o cantor talvez preferisse manter na privacidade. Mas o autor do livro levantou esses detalhes e publicou. Pronto, a privacidade foi exposta. Brigar agora é fazer como o sujeito que está no palco e tem a peruca arrancada por outro. Nada mais engraçado do que o careca sair no tapa com o outro ali no palco, né. Melhor lidar com isso numa boa...

Para a geração dos anos 50 e 60, o livro é um delicioso mergulho na intimidade da jovem guarda e arredores, caminhando até os dias de hoje sem abusar da banalidade nem pecar pela leviandade.

Vou citar apenas um exemplo do prazer em ler a biografia. Eu, que sempre tive vontade de saber mais sobre uma belíssima música brasileira cantada por grandes vozes, encontrei nas páginas dessa biografia informações surpreendentes, explicando que esse clássico da canção lírica e provinciana do Brasil tocou Roberto Carlos profundamente por se identificar com ela exatamente por ser uma criação nostálgica, com um lirismo muito denso e delicado, típico da província, da cidade pequena. Em 1973, ao cruzar com Fagner nos camarins da TV Tupi, Roberto foi apresentado ao "novato" e foi logo pedindo que Fagner a cantasse ali mesmo.

Composta por Fagner e Belchior, Mucuripe foi gravada por diversos cantores, entre os quais o próprio Fagner, Elis Regina e Roberto Carlos em seu álbum de 1975, com arranjo sinfônico do Maestro Chiquinho de Morais. Clique aqui para ouvir Mucuripe.
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