30 outubro 2013

PIXINGUINHA EM RITMO DE ROCK


Meu coração, não sei por que
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim.
Ah se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero.
E como é sincero o meu amor,
Eu sei que tu não fugirias mais de mim.
Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor dos lábios meus
À procura dos teus.
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz,
Bem feliz.
Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz
Viu a letra acima? Então deixe-me arriscar dois palpites. Primeiro, você conhece. Segundo, nunca ouviu na interpretação de Zimeth. Acertei?
Alguns críticos ou puristas podem dizer que o Zimeth destruiu um clássico brasileiro. Não entro no mérito, embora admita que, da melodia original, nada sobrou. Mas aqui não importa discutir como ficou a versão hardcore metal, e sim a importância de uma composição que, depois de quase 100 anos, ainda inspira até banda de rock. 
Esse é o aspecto que chama a atenção, mesmo que a gente possa não gostar da pancadaria pesada que fizeram com o sempre suave Carinhoso. Para quem não se lembra, Zimeth é um grupo liderado por Ricardo Zimetbaum, cofundador do Dr. Silvana & Cia, dos anos 80.
Carinhoso foi composta por Pixinguinha, que inicialmente a qualificou como uma polca lenta, depois como choro. Quase 20 anos mais tarde, meio às pressas, Braguinha (João de Barro) foi chamado para fazer a letra, em 1936. Nos anos 60, Elis Regina a popularizou com arranjos mais modernos. Mais recentemente, Carinhoso foi eleita a segunda canção mais importante da música brasileira do século XX, perdendo apenas para Aquarela do Brasil. 
Confira a (r)evolução dessa música, que foi um choro bem chorão na era dos cantores do rádio e se eternizou a partir de 1937 com a voz de Orlando Silva,  o maior cantor brasileiro de todos os tempos, segundo  João Gilberto. Não deixe de curtir o contraste entre Zimeth e Simone. Depois de arder alguns minutos na pauleira do primeiro, entregue-se de corpo e alma à ternura da segunda...



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