29 abril 2010

A ERA DA IMODERAÇÃO

Faz parte da natureza humana aprender a lidar com limites. Esse aprendizado é especialmente importante em nosso tempo, quando estamos entrando numa era que alguns especialistas chamam de era da abundância, era do vazio, modernidade líquida, era do excesso.

Considerando que "todo sistema com abundância de um elemento leva à escassez de outro”, pode-se dizer que a abundância de informação leva à escassez de atenção. A indigestão do excesso tem suscitado três epidemias: transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), síndrome de falta de memória e depressão.

O Twitter pode ser considerado a bandeira de uma geração com déficit de atenção. Tudo tem de se resumir a 140 caracteres...  Os desatentos parecem não ouvir as demais pessoas; não prestam atenção a detalhes, perdem coisas, cometem erros por falta de cuidado. A hiperatividade envolve inquietação, dificuldade de permanecer sentado. A impulsividade inclui dar respostas abruptas, antes das perguntas serem completadas e dificuldades para esperar a vez.

O homem contemporâneo tem horror a tudo que possa ser considerado perda de tempo, que, para ele, é sinônimo de perda de dinheiro. O homem de hoje não cultiva o que não possa ser abreviado. É evidente o sentimento de mundo vazio, ou de vida vazia que decorre da supremacia da VIVÊNCIA sobre a EXPERIÊNCIA.

Não podemos, porém, ser ingênuos e acreditar que seja possível voltar atrás: a velocidade dos avanços tecnológicos tende a progredir exponencialmente, e não existe remédio para filtrar o excesso de estímulos sensoriais que nos assola. Cada um tem que procurar seu truque par passar mais tempo com os amigos, com a família, caminhar, cozinhar, meditar, fazer amor, ler ou jantar à mesa, em vez de fazê-lo em frente a TV. A simples decisão de resistir à pressão para correr é absolutamente grátis.

O caminho mais inteligente não passa por demonizar a velocidade da evolução digital. O caminho mais inteligente é prestar atenção. Isso faz toda a diferença e transforma completamente qualquer experiência.

Essa análise e a citação desses conceitos estão no excelente artigo "A era da imoderação", escrito por Ronaldo Bressane. Clique aqui para ler a íntegra na Revista da Cultura.

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