08 março 2010

A AGENDA MANDA HOMENAGEAR



No Dia Internacional da Mulher, vou abandonar o figurino bonitinho, que seria politicamente correto, para entrar numa reflexão talvez polêmica. Em primeiro lugar, não sou muito favorável a essa idéia de dedicar um dia do ano à mulher. Nem compactuo muito com "uma rosa no seu dia" e outras formas de lembrança protocolar, prevista na agenda. Acho mais razoável e interessante dedicar a ela muitos dias e prefiro formas justas, espontâneas e inteligentes de reverenciar. Depois, embora elegante e adocicada, a idéia de demonstrar um gesto quase cerimonial em uma data determinada faz lembrar aquelas iniciativas com declarados propósitos de combater preconceitos, mas que vêm, elas mesmas, carregadas de conceitos duvidosos. Geralmente, preconceito reverso (ou preconceito invertido, como se diz comumente). Conhecem aquela do filósofo de boteco? "Agora é para tratar bem os idosos? Ihh, eu pensava que era para tratar bem todo mundo!"

Bem, esse tipo de reflexão pode levar a muitos lugares, mas, neste momento, leva-me ao comercial de cerveja recentemente proibido. Não me entendam mal. Não estou associando mulher a cerveja. Apenas quero citar como exemplo os argumentos que provocaram a suspensão do comercial, entre os quais a questão do respeito à mulher e da mulher como objeto sexual, mas empregados com propósitos estranhos e direcionados com impressionante estrabismo (entenda o caso).

Para dizer francamente, o comercial da Devassa parece um dos menos ruins e menos idiotas, entre os comerciais de cerveja. O que, de fato, estará por trás do protesto contra o filme? Como entender esse protesto falsamente puritano na sólida cultura do carnaval popozudo e das intermináveis filas de candidatas a objeto sexual na TV, nos Big Brother, na Sapucaí, nas capas de revistas e até nas disputas por um emprego onde o critério de seleção não é exatamente a competência profissional? Fala sério...

Acho que não sou o único que anda sem paciência para protestos de bandeiras falsas e manifestações de preconceito invertido. Proteger uma raça discriminando outras, defender o sexo feminino com rompantes de machofobia, defender opções sexuais com pirraças heterofóbicas, mobilizar-se por um grupo humano prejudicando outros, revogar o que a biologia dispôs, reacender o que a evolução pacificou... Tem dó, amigo(a)!

Mas, para não passar em branco nem ficar só em torno da Devassa, eis aqui uma forma sensível e inteligente de erguer uma bandeira legítima. Clique aqui para ver este vídeo.

(ESCRITO POR RICARDO ZANI)

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