04 janeiro 2010

O TEMPO

Começa a semana, começa o mês, é um novo ano. Momento oportuno para refletir sobre o significado do tempo em nossa vida. Abaixo, reproduzo uma crônica que recebi por e-mail. É bem conhecida por muitos, mas sempre sábia e atual. Sobre a autoria do texto, cabe dizer que existe uma polêmica. A amiga Jussara Leal me lembra que o texto é atribuído ao excelente Rubem Alves, que, de fato, escreve ótimas crônicas desse nível. Outras fontes citam Ricardo Gondim, um pastor da Assembléia de Deus, que jura ser o verdadeiro autor. Uma boa discussão, que pretendo retomar depois...   

Contei meus anos e descobri que terei menos anos para viver daqui para frente do que vivi até aqui. Tenho mais passado que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicentemente, mas percebendo que faltavam poucas, começou a roer até o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Já não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sortes.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, sobre assuntos inúteis... Sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres, orgulhos e mentiras de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.

Detesto acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembro sempre de Mário de Andrade que afirmou: as pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana. Que saiba rir de seus tropeços, que não se encante demasiadamente com seus triunfos, que não se considere eleita antes da hora e que não fuja da sua mortalidade.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. Que saibam amar e respeitar os semelhantes. Porque é dessas coisas essenciais que é feita a vida.

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