05 dezembro 2009

RAPIDINHAS DA SEMANA

Aí está dezembro. Clima natalino, mas com os enfeites meio ofuscados pelo festival de denúncias na política brasiliense. Shoppings já bem movimentados.

Começo a organizar as opções de rádio. As janelas antigas continuam indisponíveis, porque o site que hospeda as músicas ainda está em reconstrução. O jeito foi pegar uns códigos lá no site e improvisar algumas alterações nos scripts para viabilizar novas janelas. Três já estão aí, mas ainda em teste: Vip Hall, Instrumental Cult e Top Hits. Coloquei novas músicas e pretendo depurar a seleção ainda mais.

Para descontrair, um vídeo muito divertido na nossa página do Videolog. Assista. Quando abrir a página, clique na opção de tela cheia.

Quem gostou da caloura escocesa Susan Boyle (lembram-se dela?) certamente gostará de ver a caloura Bianca Ryan, uma garota de 11 anos, da Philadelphia (vídeo abaixo).



Por último, uma crônica bonita e inteligente, que vem assinada por José Mendonça Teles. Quem mora ou morou em Goiás, como eu, saberá de que valores e sentimentos fala o autor...

Ser goiano

Ser goiano é carregar uma tristeza telúrica num coração
aberto de sorrisos. É ser dócil e falante, impetuoso e tímido.
É dar uma galinha para não entrar na briga e um nelore para sair dela. É amar o passado, a história, as tradições, sem desprezar o moderno. É ter latifúndio e viver simplório,
comer pequi, guariroba, galinhada e feijoada, e não estar nem aí para os pratos de fora.
Ser goiano é saber perder um pedaço de terras
para Minas, mas não perder o direito de dizer também uai,
este negócio, este trem, quando as palavras se atropelam
no caminho da imaginação.
O goiano da gema vive na cidade com um carro-de-boi cantando
na memória. Acredita na panela
cheia, mesmo quando a refeição se resume
em abobrinha e quiabo. Lê poemas de Cora Coralina
e sente-se na eterna juventude.
Ser goiano é saber cantar música caipira e
conversar com Beethoven, Chopin, Tchaikovsky e
Carlos Gomes. É acreditar no sertão como um
ser tão próximo, tão dentro da alma. É carregar
um eterno monjolo no coração e ouvir um berrante
tocando longe, bem perto do sentimento.
Ser goiano é possuir um roçado e sentir-se
um plantador de soja, tal o amor à terra
que lhe acaricia os pés. É dar tapinha nas
costas do amigo, mesmo quando esse
amigo já lhe passou uma rasteira.
O goiano de pé-rachado não despreza uma
pamonhada e teima em dizer ei, trem bão, ao
ver a felicidade passar na janela, e exclama viche,
quando se assusta com a presença dela.
Ser goiano é botar os pés uma botina ringideira e
dirigir tratores pelas ruas da cidade. É beber
caipirinha no tira-gosto da tarde, com a cerveja na
eterna saideira. É fabricar rapadura, Ter um
'passopreto' nos olhos e um santo por devoção.
O goiano histórico sabe que o Araguaia não passa
de um 'corgo', tal a familiaridade com os rios.
Vive em palacetes e se exila nos botecos da esquina.
Chupa jabuticaba, come bolo de arroz e toma licor
de jenipapo. É machista, mas deixa que a mulher
tome conta da casa.
O bom goiano aceita a divisão do Estado, por entender
que a alma goiana permanece eterna na saga do
Tocantins.
Ser goiano é saber fundar cidades.
É pisar no Universo sem tirar os pés deste chão parado.
É cultivar a goianidade como herança maior.
É ser justo, honesto, religioso e amante da liberdade.
Brasília em terras goianas é gesto de doação, é patriotismo.
Simboliza poder. Mas o goiano não sai por aí contando
vantagem.
Ser goiano é olhar para a lua e sonhar, pensar que é queijo
e continuar sonhando, pois entre o queijo e o beijo,
a solução goiana é uma rima...

(José Mendonça Teles. Crônicas de Goiânia).

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