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01 agosto 2008

RAPIDINHAS DA SEMANA


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Estrelas como Lauren Jackson (clique na imagem acima para ampliar), a loira que brilha na seleção australiana de basquete, estarão na mira das lentes e dos repórteres que cobrirão as Olimpíadas (no caso dela, antes de reparar no tamanho dos pés, lembre-se que a fera tem 1,96 m de altura). Então, uma boa parte desse material procedente da China estará numa mídia especial, os blogs dos enviados, interessante espaço sobre os Jogos Olímpicos, criado no site UOL. Para quem quiser acompanhar esses blogs, há link na coluna à esquerda desta página.

Não me lembro de, algum dia, ter-me visto em situação paradoxal como essa: procurar alguém para dar parabéns e, em lugar disso, ter de dirigir-lhe pêsames. Foi na semana passada. Às vésperas de seu aniversário, Luiza teve de vir às pressas ao Brasil. Doença grave na família. E então aconteceu o pior. Conclusão: no dia de seu aniversário, chorava no sepultamento da mãe. Acho que não merecia tal sofrimento, mas assim fez o destino e diante de circunstâncias dessa natureza nada pode fazer o ser humano... Espero que esteja superando esse momento difícil, para retomar sua vida de conquistas e boas realizações.

Um leitor amigo comentou, sobre a postagem do último dia 29 (imagens abaixo), que ali nas fotos existe mais do que o aspecto francamente engraçado desses asiáticos fazendo coisas incríveis com suas pequenas motonetas. Observa ele que aquelas cenas revelam uma luta pela sobrevivência, pois as fotos mostram que estão trabalhando duro e com garra, utilizando uma ferramenta limitada e completamente inadequada para o serviço. Mas ainda assim atingem seu objetivo de levar e trazer suas preciosas cargas.

Concordo plenamente com a observação e vou além. Há certos traços culturais que ficam nítidos, se compararmos aquelas imagens com as que estamos habituados a ver no Brasil. Enquanto lá se vêem pessoas num humilde contorcionismo sobre maquininhas fracas e ultrapassadas, por aqui é comum ver, no dia-a-dia da cidade grande, motos maiores, transportando cargas menores, com mais agressividade e, às vezes, seus barulhentos escapes abertos e adaptações pretenciosas. Falando sem rodeios: lá, o esforço é cômico; aqui, a pretensão é ridícula.

Não se pode generalizar nem disparar críticas aos motoboys brasileiros. Apenas fazer uma inevitável comparação, tomando para isso uma minoria, que às vezes transita de modo abusado e pouco civilizado.
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Mas acrescento aqui outro aspecto desse curioso tema. Essas incríveis máquinas de duas rodas fazem muito mais do que transportar peixes, frangos e pizzas ou infernizar os já estressados motoristas paulistanos. Elas servem para afagar nossas fantasias e proporcionar prazeres incomparáveis.

É o que me levou a rabiscar, há muito tempo, uma pequena crônica que hoje aqui reproduzo:

NO LOMBO DA FERA
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Dia ensolarado, morno e calmo como a brisa. Céu tingido por névoa seca e queimadas no mato sem chuva.
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Sobre o chão plano, o bicho empinado rosna em posição de ataque, encarando o horizonte como se avistasse a fêmea no cio.
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Em cima dele, minhas mãos se esforçam para segurar seu ímpeto, até a hora de soltá-lo na estrada, onde tem tudo que quer. Espaço e liberdade para se mover, dominar, conquistar e saciar a compulsão de andar sem cansar por destinos sem fim.

No desafio das longitudes, a magia das imensidões inabitadas consola o abandono no asfalto. Indiferente a obstáculos, marcha destemido sobre enigmas de campos e rincões, enquanto o motor entre minhas pernas ronca forte e toca firme, jurando cumprir a nobre missão de rodar por rodar.

O lombo da fera é o trono em ação. Ali reina o prazer de lançar a máquina cheia de apetite, de explorar espaços abertos e de pilotar sem abusar... Exercito o domínio da fúria e mergulho na arte de reger a sinfonia de metais quentes, para conhecer o infinito e girar a rosa-dos-ventos que sopra no corpo e refresca a mente.

Longo como a estrada, o dia segue assim, no vigor da tocada que rompe serras, engole planaltos, transpõe vales e risca outro mapa no meu diário de bordo.

Viajar em duas rodas é isso e muito mais. Com todas as emoções e desconfortos desse prazer sem lógica...
(crônica de Ricardo Zani)
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