09 setembro 2006

ESSA É DE CHORAR: BRASILEIRO GASTA MAIS COM JOGO DO QUE COM EDUCAÇÃO

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Gente, tem fatos que nos deixam indignados e inconformados!

Vejam essa: o Jornal do Commércio de hoje traz uma notícia triste e preocupante. O texto é um pouco longo, mas quero reproduzir na íntegra, abaixo, porque o assunto é importante.

Pelo IPCA de julho, despesas com jogo de azar e cigarro pesam mais na inflação do que a compra de livros.

As despesas com jogos de azar, cigarro e cabeleireiro contribuíram mais para a inflação de julho do que os gastos com livros, jornais e cursos de idioma, técnico e de informática. Essa comparação reforça a tese de quem acredita que o brasileiro não se preocupa tanto com sua formação intelectual e preparação profissional quanto deveria. Os dados foram retirados da participação de cada item de consumo na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA é calculado com base nos gastos das famílias que recebem de um a 40 salários mínimos.

“As pessoas se preocupam mais com supérfluos do que com o desenvolvimento intelectual. O imediatismo toma conta do futuro e do momento presente. O cidadão não compra livro para pensar na formação acadêmica, para se preparar para o futuro”, avalia Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Esse retrato desenhado por Agostini termina por enfraquecer a qualidade da mão-de-obra do mercado de trabalho brasileiro. A raiz do problema, diz o economista, é cultural. “Os filhos vão crescendo sem a cultura da leitura e terminam destinando suas despesas a outros itens”.
Pela média brasileira, a contribuição do item danceteria para a inflação do mês de julho foi de 0,42% – maior do que a registrada na compra de livros e de atividades paralelamente recreativas e culturais como o cinema (0,30%).


Além do problema cultural, Agostini também ressalta que a renda achatada da população limita a expansão de consumo. “Nem sempre existe um descaso do trabalhador. Essas pessoas ficam impossibilitadas de investir na educação”.

ORÇAMENTO – Para Tarcísio Patrício, professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e sócio da Ceplan Consultoria, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) – também do IBGE – demonstra que os livros têm peso menor que o cigarro nas despesas das famílias. “Sabe-se que – considerando a população como um todo – o brasileiro não deixa de, por exemplo, comprar um ingresso para um show para adquirir um livro. Embora devam existir pessoas que façam isso”.

Na avaliação de Tarcísio Patrício, se o livro fosse um produto mais barato e se não houvesse tanta pobreza no Brasil, e se as pessoas fossem, desde crianças, incentivadas à leitura, certamente o quadro seria outro. “Se o ensino em colégios fosse, do ponto de vista pedagógico, incentivador da leitura, isso também poderia mudar”, acrescenta.

O professor de Economia da UFPE, porém, acredita que a produtividade e a competitividade brasileiras são mais afetadas pelo baixo grau de educação da força de trabalho. “No Brasil, a média de estudo é inferior a sete anos. Na Europa, 12 anos”, compara Tarcísio Patrício.

O gesseiro Carlos Pereira da Silva, 45 anos, reserva parte das suas receitas para jogar duas vezes por semana. Pereira, que concluiu o ensino fundamental, acredita que esse é seu principal item de despesa com diversão. “Acho que gasto mais de R$ 100 por mês com jogo”, calcula Pereira, que tem uma renda de cerca de R$ 1,2 mil. Questionado se gostaria de fazer algum curso, Pereira explica que falta tempo.
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