06 dezembro 2005

SE VOCÊ TEM AUTOMÓVEL, CONSIDERE-SE REFÉM.

Este blog não é espaço para discussões de fundo político, mas o assunto merece algumas linhas. Nem é bem questão política, mas uma controvérsia que pode envolver abuso de poder econômico. Veja só: o órgão competente autorizou reajuste do seguro obrigatório de veículos, da ordem de 43%, a vigorar em janeiro de 2006 !! É o segundo reajuste anual consecutivo. Quase nove vezes a inflação prevista para o período !!

Cada vez mais fica claro o seguinte: a maneira mais fácil e eficaz de certos órgãos públicos mexerem na nossa conta bancária, no bolso de quem tem algum poder aquisitivo (ou seja, as classes média e alta, que quase obrigatoriamente têm veículo próprio), é através do automóvel. Esse é o filão que está sendo cada vez mais explorado. É seguro obrigatório, taxa adicional de licenciamento, impostos adicionais sobre combustíveis e, agora, a praga dos radares eletrônicos por toda parte.

O CASO DOS RADARES MALICIOSOS

Sou favorável ao controle eletrônico de velocidade, mas completamente contra os radares maliciosos. O motorista atento percebe logo a diferença. E percebe a proliferação dos equipamentos maliciosos, instalados com visível planejamento acintoso, que prioriza o fator "surpresa" e não a segurança no trânsito. Têm todas as características de cilada e não de advertência e contenção de riscos.

Em Brasília, os radares maliciosos já são uma praga escandalosa, mas ninguém consegue mudar a situação. A sinalização na cidade está péssima e incompleta, a pavimentação das ruas e avenidas é uma vergonha, os semáforos são antiquados, precários e defeituosos. Os estacionamentos públicos são uma afronta, os animais nas pistas e carrocinhas nas avenidas são ignorados pelos agentes do trânsito, a segurança noturna dos motoristas está entregue aos anjos e arcanjos...

Mas dezenas de radares novos, caríssimos, de avançadíssima tecnologia, surgem a todo momento. O pior é que eles surgem nos pontos onde a "emboscada" ao motorista é a circunstância predominante, não necessariamente nos pontos onde existe risco de acidente. Outro detalhe só notado pelos observadores atentos: os radares maliciosos se espalham por onde circulam moradores de nível médio e alto (na grande maioria, não apóiam o grupo político que manda no DF) . Nas regiões consideradas redutos eleitorais do grupo governante, a situação é outra. Lá existe muito perigo, rola todo tipo de abuso e loucura no trânsito, mas são poucos radares, sendo que os mais recentes são do tipo "barreira eletrônica", isto é, radares bem amistosos, muito visíveis e nada maliciosos. Muitos deles, instalados poucos metros depois de um quebra-molas (como explicar isso?!)

Numa das áreas mais perigosas do DF (ligação entre Sobradinho e Planaltina, notório reduto eleitoral daquele infeliz posseiro de Brasília), ao longo do acostamento existe uma cruz a cada 500 metros, sinal inequívoco das fatalidades que acontecem por ali. Mas não existe radar !!! E os tais consultores de trânsito insistem em abençoar o critério de distribuição dos radares.

No Eixo Monumental, com seis faixas em cada pista, sem cruzamentos e sem trânsito de pedestres, resolveram instalar radares. Então, a velocidade máxima, que sempre foi de 80 km/h, estranhamente caiu para 60 km/h !! Pra se ter idéia do absurdo, basta notar que 60 km/h é a mesma velocidade permitida na principal avenida comercial (a perigosa e congestionada via W-3)...

Em certos lugares, há radares interessantes. É o caso do cruzamento da via L-2 Norte com L-4 Norte. Ali, a malícia é ostensiva, a ironia é escancarada, uma gozação com os motoristas. Instalaram moderníssimo radar junto ao semáforo, parece equipamento da NASA. Mas o semáforo é velho, luzes fracas, voltadas para o ângulo do sol da tarde. Então, entre 16 e 18 horas, ocorre uma espécie de "pegadinha de TV", pois é impossível saber se o sinal está verde ou vermelho. Os raios solares incidem diretamente sobre as fracas luzes do semáforo e os motoristas ficam coçando a cabeça com cara de bobos, sem saberem o que fazer, enquanto o poderoso radar os observa ali ao lado, pronto para multá-los !! Passo por ali diariamente e já vi motoristas tão confusos que preferiram dar ré e tomar outra direção a cruzar naquelas condições, sem saber se o sinal estava aberto ou fechado... Isso é real, está lá há meses pra quem quiser ver, mas não se toma nenhuma providência definitiva.

Em muitos outros cruzamentos com radar, o semáforo está posicionado tão mal que quem segue logo atrás de um ônibus ou caminhão-baú cruza a esquina sem avistar o semáforo, pois qualquer veículo mais alto esconde o sinal luminoso. Mas se cruzar no vermelho, é multa inexorável (ou, se for correligionário, tem perdão?).

Quer mais um indício de malícia? Em muitos pontos, quando instalaram radar junto ao semáforo, o ciclo verde-amarelo-vermelho ficou diferente, dando ao motorista a nítida impressão de que encurtaram a duração do sinal amarelo. Cilada perfeita ! São espertinhos, não é?

Quer outra evidência de malícia? Tente descobrir qual é o tempo de tolerância para quem cruza o sinal estourando o limite entre amarelo e vermelho. Em Brasília, adotou-se a tolerância de MEIO SEGUNDO ! Meu amigo, desde quando meio segundo significa tolerância?? Os técnicos de trânsito devem ter-se baseado em parâmetros de prova olímpica ou no regulamento da Fórmula 1 !! Mas no DF os especialistas acham que meio segundo é uma boa tolerância para todos os motoristas, inclusive para senhoras idosas ao volante, octogenários, etc!!

Estranhamente, o legislativo silencia, o principal jornal local diz que está tudo certo e alguns consultores de trãnsito respondem amém. Afinal, os radares eletrônicos são uma mina de dinheiro inesgotável que viabiliza sabe-se lá quantos contratos e quantos interesses políticos e comerciais... Se os especialistas dizem que está tudo correto, as defensorias do cidadão não têm muito a fazer, pois a Justiça depende do parecer dos especialistas para se posicionar... O cidadão fica impotente, espoliado e abusado. Como agora, em relação a essa piada do reajuste do seguro obrigatório.

(se você não concorda em silenciar, envie cópia deste texto para deputados, defensorias do cidadão, imprensa e amigos)

Clique aqui para ler mais sobre o reajuste do seguro obrigatório.

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