27 novembro 2005

VINÍCIUS, O FILME




Pessoal, não posso deixar de falar alguma coisa sobre o filme que vi ontem. Pra mim, valeu por 10 filmes !! Liguei-me tanto no conteúdo que nem sei dizer se a qualidade técnica da produção é lá essas coisas, mas não vi defeito.

Sou da geração que conheceu Vinícius no auge da fama e a partir daí sempre o admirei. Tive um único contato pessoal com ele, quando eu era repórter no estado de SP e fui entrevistá-lo. Nunca me esqueço da cena. Foi no hotel onde ele se hospedava. Cheguei, fiz-me anunciar e, pelo interfone, ele pediu pra eu subir. Empurrei a porta e não havia ninguém na sala. Procurei pelo apartamento e não encontrei ninguém. Então ouço sua voz gritando “Chega pra cá, amigo, aqui no banheiro.”

Ele estava peladão na banheira, um copo numa das mãos e um charuto na outra. Óbvio que não iria sair dali tão cedo. Então, recebeu-me no banheiro e pediu pra que eu gravasse ali mesmo...

Vinícius foi personagem de uma série de transformações no Rio, tendo criado para si um dos percursos mais relevantes da cultura brasileira no século XX

Bem, o filme “Vinícius” foi apresentação de abertura no Festival do Rio 2005. Dirigido por Miguel Faria Jr, apresenta um belo pocket show com dois ótimos atores. Coloca na tela a vida e a carreira de Vinícius de Moraes, com um desfile de gente que conviveu com o poeta ou tem alguma coisa em comum com ele: Adriana Calcanhoto, Mariana de Moraes, Zeca Pagodinho, Antônio Cândido, Caetano Veloso, Carlos Lyra, Chico BuarqueFerreira Gullar, Edu Lobo, Francis Hime, Georgiana de Moraes, Gilberto Gil, Luciana de Moraes, Maria Bethânia, Maria de Moraes, Miúcha, Susana Moraes, Tônia Carrero, Toquinho e outros.

O filme tem muitos bons momentos. Os depoimentos de Chico Buarque, por exemplo, estão ótimos. Outro momento alto é quando ele lembra do Poema dos Olhos da Amada. Quando Vinícius cantava, era aquele silêncio absoluto para ouvir cada nota e cada palavra... Então, Caetano chega com o violão para fazer Poema dos Olhos da Amada:

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

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É isso, gente. Gostei muito e recomendo.

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