17 outubro 2005


Que tal começar a semana com um poema inspirado, de qualidade, lapidado na essência da boa poesia?

Tudo bem, há quem torça o nariz para poesia... É compreensível. Mas que os analistas os defendam do vírus da desumanização e que os mestres os façam notar que a verdadeira poesia tem grandeza, transcende à pieguice ridícula e não se confunde com o sentimentalismo derretido.

No passado, eu também subestimei a arte poética, talvez induzido pela contaminação das fracas vertentes da poesia alternativa e do pretenso valor literário das rimas pobres e fáceis.

Poesia é mais do que rima, a beleza das palavra vai muito além do rebuscamento artificial. Então, debito a essas experiências a rejeição que alguns nutrem pela poesia.

Nada contra. Apenas peço licença para dedicar um espaço deste Blog à beleza poética. E faço votos de que algum dia descubram nas letras uma das mais refinadas expressões da arte.

Eis aí o poema de Adalgisa Nery, que um dias desses descobri lá no flogão da minha amiga Verluci ( http://flogao.com.br/verluci ) :

POEMA DA AMANTE

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima
dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros
que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso
e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo
cair sobre mim
Suavemente.

( Adalgisa Nery )


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