30 junho 2009
CHEGA DE ATENDIMENTO RÁPIDO
Por Ricardo Zani
Pra variar, o noticiário anda repleto de más notícias. Mas nem tudo está perdido. Temos as notícias divulgadas com a expectativa de que agradem, pois falam de bons acontecimentos. Um gênero de notícias, em particular, chama minha atenção. São as que mostram avanços nos serviços públicos. Vejam esta, por exemplo. Está em fase de testes o programa que pretende fornecer certidão de nascimento em 15 minutos! De fato, que rapidez! Por trás dessa agilidade, deve haver um grande esforço, uma estrutura moderna e eficiência nota 10.
Mas, considerando que é um documento que se faz uma vez na vida, para ser usado umas três ou quatro vezes entre o nascimento e o óbito, não entendo bem qual é a diferença entre obter a certidão em 15 minutos ou 15 dias. Nesse caso, não sei pra que serve tanta rapidez. Eu prefiro que o acesso ao documento seja simples e grátis, que tenha precisão e seja confiável. Quanto aos 15 minutos, prefiro algo que, com essa rapidez, seja capaz de evitar que pais irresponsáveis coloquem no mundo crianças que não poderão amparar nem educar. Muito melhor que se resolvam, em 15 minutos, os casos de crianças abandonadas ou desencaminhadas pelos próprios pais. Que em 15 minutos se descubram que uma certidão está sendo forjada em algum lugar do Brasil. E que, com a mesma rapidez, se evite que os arquivos de algum cartório sejam objeto de incêndio criminoso.
Também se orgulham alguns setores de fornecer carteira de identidade ao estalar dos dedos. Lindo! E daí? Sinto desapontá-los, mas não é isso que eu quero. Com essa rapidez eu quero que se acabem de vez com as identidades falsificadas e com as mágicas fáceis deste paraíso dos documentos falsos.
Em algumas cidades, o Detran está entregando a carteira de habilitação no mesmo dia da aprovação nos exames. “Bella roba”, como diria meu avô. Senhor diretor do Detran, todas as pessoas têm o confortável prazo de 20 anos para cuidar da habilitação. Por mim, o senhor pode levar até um mês para me entregar a primeira habilitação. O que eu peço ao senhor e aos legisladores é que em uma semana, no máximo, seja identificado, detido e condenado o motorista criminoso que atropelou a fila na parada de ônibus. E que nunca mais alguém consiga comprar uma carteira de habilitação neste país.
Ouvi, outro dia, que se pode obter o título eleitoral muito rapidamente, assim como é possível transferir o domicílio eleitoral em questão de minutos. Ora, não preciso me tornar eleitor ou transferir meu título num piscar de olhos. Aliás, sempre achei essa pressa suspeitíssima! Quero, sim, que em questão de minutos se levante a ficha detalhada do pilantra que está se lançando candidato nas próximas eleições e que sua pretensão seja abortada antes que ele possa escrever seu nome nos muros e panfletos.
É a mesma história da apuração de eleições. Quando vejo alguém se orgulhando pelo fato de a Justiça Eleitoral possuir um dos sistemas mais rápidos do mundo na apuração de votos, até acho bonito. Mas a quem interessa a apuração-relâmpago? A mim, não é. Eu aceito muito bem resultados em 10 dias. Os candidatos e festeiros de boteco que tratem de controlar sua ansiedade. Quero toda essa rapidez na apuração de crimes eleitorais, na apuração de abuso de poder econômico, na apuração das barganhas de votos por cestas e favores, antes que os culpados estejam fora de alcance.
Há pouco tempo, alardeou-se que a aposentadoria passaria a ser concedida em 30 minutos. Ora, as pessoas têm 30 anos ou mais para cuidar disso. Se o benefício sair em uma semana não está de bom tamanho? Eu queria muito é que em 30 minutos se analisassem e julgassem os processos de revisão das minguadas aposentadorias de tanta gente, principalmente daqueles que correm o risco de ir para a cova sem ver o “sim” da Justiça. De minha parte, concordaria até que o benefício demorasse 15 dias, desde que em 30 minutos se detectassem e punissem as intermináveis fraudes que corroem os recursos da Previdência Oficial.
E tem ainda outra maravilha: em um minuto posso entregar minha declaração de renda pela internet!! Não é espetacular? Tudo bem, mas não faço a menor questão de ter minha vida nas mãos da Receita em um minuto. O que eu quero em um minuto é que minhas reclamações cheguem às mãos de quem age ou decide: o presidente, o governador, o prefeito, o tribunal de contas, a fiscalização sanitária, o Procon, o secretário de saúde ou o secretário de segurança pública! E quanto à Receita, prefiro que em um minuto me chegue às mãos a restituição do imposto que paguei adiantado.
Sou a favor da rapidez na burocracia, sim. Mas quero rapidez nas coisas essenciais e não apenas no supérfluo. De que adianta o tiro rápido no alvo errado? É muito rojão para pouco feijão.
Autor: Ricardo Zani. Leia outros textos do autor.
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26 junho 2009
GOIÁS ANTIGA
Foi numa noite distante, na cidade de Goiás, que lentes atentas clicaram a imagem abaixo (aqui transformada em tela digital). E imagens de lampiões, casarões, ruas de pedra e todo o acervo histórico da velha capital do estado de Goiás fizeram brotar as palavras e versos a seguir. Clique na imagem para vê-la em tamanho original.
Como o lampião
de luz cálida,
espio a escuridão
da noite pálida
na esquina sólida
da rua nua.
Nostálgica rua,
Com luz, sem lua.
Luz de lampião,
lampião da cidade,
cidade de Goiás.
Goiás antiga,
bela e inspirada
como a célebre inquilina
I'LL BE THERE
Foi provavelmente o maior astro pop da história. Clique no play para recordar a fase antiga e inocente de Michael Jackson.
24 junho 2009
NOVA CRÔNICA DE SERGIO ANTUNES
Meu amigo e conterrâneo Sergio Antunes acaba de enviar sua mais recente crônica. Excelente, como costuma ser tudo que ele escreve. E para completar a alegria dos leitores, principalmente os linenses, vem ilustrada com a reprodução de um quadro pintado por Teisuke Kumasaka, onde se vê uma das ruas mais conhecidas da cidade, em 1953, com destaque para prédios que são ícones de Lins. Li com alegria, admiração e saudade da minha terra e de tantas fantasias que povoaram a imaginação de várias gerações:
"Lins é minha Macondo. Pena que eu não sou Gabo.
Para quem não entendeu eu explico. Macondo é a cidade imaginária, criada por Gabriel Garcia Marques, o escritor colombiano que escreveu Cem Anos de Solidão. Não era uma cidade qualquer."
Leia a íntegra e conheça o site onde Sergio escreve.
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21 junho 2009
VOCÊ CONHECE YUSUF ISLAM?
.Yusuf Islam acaba de lançar Roadsinger, seu mais novo disco. Você não o conhece? Quem curtiu os hits dos anos 70 certamente conhece! Afinal, Yusuf é ninguém menos que Cat Stevens, que ficou conhecido no mundo todo com Wild World, Oh Very Young, The First Cut Is The Deepest e outros sucessos. Converteu-se ao islamismo em 1977, e, depois do atentado de 11 de setembro, foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Em 2006, com 58 anos, voltou à música pop, com o disco An Other Cup e agora manda bem no último lançamento, mas cantando temas diferentes dos velhos tempos.
20 junho 2009
QUATRO ANOS NO AR
Neste mês, o Blog completou quatro anos, sempre ativo nesse período. Foram 800 posts, todos disponíveis nos arquivos (final da coluna à esquerda) e mais de 100 mil acessos, o que não é muito, mas é significativo, considerando que não é blog comercial, não tem anúncios nem mecanismos de divulgação. Esse número de visitas não está no contador visível, porque tive de trocar de contador recentemente. O atual contador foi instalado no final de 2008 e não foi possível adicionar a ele a contagem antiga. Meu agradecimento carinhoso aos amigos que passam por aqui. É por eles e para eles que o Blog se mantém no ar, tentando se aprimorar sempre. Valeu!
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15 junho 2009
UM POUCO MAIS SOBRE OS ALEMÃES E O INCOMPARÁVEL NÜRBURGRING NORDSCHLEIFE
Mercedez CL55 AMG, com instrumentos à vista (velocímetro e indicador de força G), pilotagem com alucinantes derrapagens provocadas/controladas, para ganhar ângulo nas curvas.
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Porsche 911 GT2, pilotado por Patrick Simon. Não sei da credibilidade das informações, mas a ficha do vídeo diz que essa performance foi a resposta da Porsche ao GT-R da Nissan.
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Honda Civic Type, numa volta deliciosa pelas mãos do piloto Jenson Button, com velocímetro em destaque.
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BMW da Fórmula 1, onde a gente sente de dentro do carro os pontos em que um F1 é superior aos superesportivos de série.
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Agora, o mesmo trajeto, em inacreditáveis 7 minutos, sentindo bem de perto o limite de cada curva e as emoções do guidão de uma moto CBR 1000, que abusa do começo ao fim e, na reta final, chega a marcar 357 km/h. Pelo menos é o que indica o marcador na tela... Confira você mesmo.
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12 junho 2009
O JAPONÊS QUE IRRITOU OS ALEMÃES
A belíssima foto acima mostra um japonês e ofusca alguns alemães. Para quem pensa que os japoneses já fizeram tudo que podiam no setor de automóveis, aqui está uma novidade. Segundo a revista Quatro Rodas de junho/2009, eles acabam de provocar (no bom sentido) os alemães, lá na Alemanha. Como? Simplesmente com essa façanha: colocaram o Nissan GT-R (acima) para acelerar na estrada de Nürburgring Nordschleife, um percurso de 21 km no meio de montanhas, com 73 curvas, algumas cegas e de alta velocidade. Esse circuito é referência mundial para testar e classificar a performance de qualquer superesportivo de série.
Para se ter uma idéia, a Ferrari Enzo, de 660 cv de potência, que custa R$ 1.650.000,00, faz o percurso em 7min25s2. O Porsche GT2, que tem 530 cv e custa R$ 403.000,00, faz em 7min31s0. O Porsche Carrera GT, de 612 cv, que custa R$ 1.100.000,00, faz o trecho em 7min28s7.
Então, apareceu um japonezinho da Nissan, foi lá e cravou 7min26s7. Seria um jato supersônico? Nada disso. O GT-R da Nissan custa R$ 175.000,00 e tem 485 cv. O pessoal da Porsche se recusou a acreditar. Compraram um GT-R só para tirar dúvidas.
São coisas assim que ajudam a explicar a atual crise de grandes fabricantes europeus e americanos.
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10 junho 2009
05 junho 2009
LINDA E PODEROSA


03 junho 2009
VIAGEM NO TEMPO: SUCESSOS DE TODAS AS ÉPOCAS

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01 junho 2009
HUMOR: ODE ABUNDA
Outro dia deparei-me com uma crônica do Arthur da Távola, chamada Ode ao Gato. Excelente. Penso que Arthur criava gatos e era grande conhecedor desses bichanos, do contrário não poderia escrever com tanta propriedade. Como gostei, pensei o seguinte: quantas outras odes foram escritas com semelhante qualidade?
Antes de prosseguir, convém lembrar que ode é uma composição poética originária da Grécia. Desde Homero, era cantada e acompanhada pela lira. Em grego, ode significa canto. Na literatura portuguesa, Camões e Pessoa foram alguns dos que aderiram a essa forma de escrita. Mais recentemente, Miguel Torga fez o mesmo. Contudo, a ode de que falo, assim como a do Arthur, nada mais é do que uma crônica ou algo do gênero, em que se exalta alguém ou alguma coisa. Tornou-se habitual chamar de ode esse tipo de texto. Então, pensando na deliciosa Ode ao Gato, passei a procurar por outras.
A pesquisa me confunde logo de saída. Aparece outra Ode ao Gato, esta atribuída a Pablo Neruda. Não é o texto do Arthur, mas fala dos bichanos. Rapidamente percebo que há dezenas de odes atribuídas a Neruda... Aí, eu me pergunto: poderia ele se inspirar no nosso Arthur?
Depois, vi Ode à Amizade, um poema legal! Ode à Árvore e Ode ao Ator Feio, no blog do Ricardo Calil. Em Ode ao Burguês, Mário de Andrade não homenageia, mas tritura o bom burguês. Também encontrei Ode à Bohemia, Ode ao Canalha, Ode à Felicidade, Ode à Paz, Ode ao Prozac, Ode ao Trabalho e vai por aí...
Quando a pesquisa é na internet, tem algo que irrita mais do que a conexão lenta e a mediocridade de certos textos. São as reproduções de bons textos sem citação do autor. Isso é intolerável. Há, ainda, textos indevidamente atribuídos a nomes consagrados... Quanta coisa está circulando com a falsa autoria de Érico Veríssimo, Fernando Pessoa e até Shakespeare...
Bem, apesar de tudo, é um passeio interessante. Vi algumas letras de música, como a Ode ao Gaúcho e a Ode aos Ratos, de Chico Buarque e Edu Lobo.
Vi coisas tão variadas quanto criativas, como um blog chamado Big Ode. E, obviamente, não falta quem se ocupe de inventar algum modo diferente de meter um F antes de ode.
Enfim, encontrei odes de todo gênero e para todos os gostos. Foi aí que me dei conta: se tem para todos os gostos, onde está a ode ao conhecido gosto brasileiro? Como podem abundar as odes sem que haja ao menos uma dedicada à preferência nacional? Se ode abunda, por que não? Certamente, muitos terão talento e disposição para escrevê-la. Quem quer começar?
(Autor: Ricardo Zani)
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