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VEDRAI, VEDRAI
Quando à noite
eu volto para casa
não tenho nem vontade de falar.
Não me olhas com aquela ternura
como eu fosse um menino
que retorna desiludido.
Sim, eu sei que esta não é certamente a vida
que sonhei um dia para nós.
Verás, verás,verás que mudará.
Talvez não será amanhã
mas um belo dia mudará.
Verás, verás,
não, não sou acabado, sabes,
não sei dizer-te como e quando
mas verás que mudará.
Preferiria saber que choras,
que me culpa de tê-la desiludido
e não ver-te sempre tão doce,
aceitar de mim
tudo aquilo que vem.
Me faz desesperar
o pensamento de ti
e de mim que não sei dar-te mais.
Verás, verás,verás que mudará.
Talvez não será amanhã,
mas um belo dia mudará.
Verás, verás,
não, não sou acabado, sabes,
não sei dizer-te como e quando,
mas um belo dia mudará.
Houve uma época, nos anos 60, em que a indústria fonográfica no Brasil andava devagar, movida quase exclusivamente pelos sucessos dos Beatles e da Jovem Guarda. Fora desses pólos, quase nada acontecia, com raras exceções. Então, uma das exceções que se ouvia era um italiano chamado Luigi Tenco, esse mesmo do vídeo acima. Naquela época, ele se tornava conhecido com Ciao amore ciao, canção que competiu no Festival de San Remo em 1967 e foi muito executadas nas rádios pelo Brasil.
Foi nessa época que ouvi dizer que Tenco havia se suicidado, aos 29 anos de idade, logo depois de ter sua música eliminada no Festival. A gente sabia de sua morte, mas a versão do suicídio não era confirmada, o que, aliás, só veio a acontecer em 2006, com exumação do corpo e novos exames, que constataram o tiro na têmpora, com as características balísticas da própria arma.
Em 29 anos de vida, Tenco mostrou muita aptidão para a música e, também, uma boa dose de instabilidade emocional, colecionando episódios de atritos e explosões. Mas conseguiu mostrar sua arte, perpetuar sua bela voz e deixar muita saudade.
Clique play, abaixo, para ouvir Ciao amore ciao.
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