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Nesta semana, a novidade é A Máquina do Som. Quem curtiu rádio nos anos 70 sabe do que estou falando. Na época, a Rádio Excelsior FM de São Paulo (hoje CBN) ficou conhecida por toda uma geração pelo padrão de programação musical criado em 1968 com A Máquina do Som, comandada por Antonio Celso, locutor paulista de Jaú, que atuou na Excelsior de 1967 a 1980.
Passadas cerca de três décadas, eis que A Máquina do Som ressurge em setembro de 2008, resgatada no formato original, por enquanto só na internet. Tudo igual aos velhos tempos: os sucessos da época, o estilo da rádio, as vinhetas e as vozes dos apresentadores.
Para facilitar o acesso à Máquina, adicionei link neste Blog (coluna à esquerda) e acrescento, abaixo, três vídeos dos apresentadores.
Antonio Celso:
Dedé Gomes:
Julio Cesar:
28 dezembro 2008
RAPIDINHAS DA SEMANA
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26 dezembro 2008
ROBERTO CARLOS: UM ESPECIAL MAIS ESPECIAL
.Os melhores momentos de Roberto Carlos no programa especial de fim de ano, apresentado nesta quinta (25/12), pela Rede Globo, estão disponíveis na internet, no site da própria Globo (clique aqui). Para os fãs do intérprete, obviamente vale ver ou rever. Para os demais, vale conhecer pelo que contém da riqueza musical brasileira, o que vai muito além do estilo Roberto Carlos, passando por repertórios de Caetano Veloso, Rita Lee, Tom Jobim e outros. Pareceu-me um especial diferente, tanto pela maneira como se expandiu o roteiro musical quanto pela descontração no palco, onde se vê um RC menos pasteurizado, mais solto, entusiasmado e mostrando prazer em cantar e receber convidados.
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23 dezembro 2008
ORGANIZA O NATAL
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(Carlos Drummond de Andrade)
Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
E será Natal para sempre.
(Extraído do livro Cadeira de Balanço, de Carlos Drummond de Andrade, Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972)
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(Carlos Drummond de Andrade)
Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
E será Natal para sempre.
(Extraído do livro Cadeira de Balanço, de Carlos Drummond de Andrade, Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972)
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21 dezembro 2008
19 dezembro 2008
RETROSPECTIVA: AS FURADINHAS DO ANO
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Final de ano é sempre assim. Os acontecimentos que marcaram, os melhores nisso, os piores naquilo e retrospectivas em geral. Mas a novidade agora é a retrospectiva das celulites do ano, é mole? Se é de bom gosto ou não, bem... deixemos isso pra lá. Vale pela diversão, ajuda a descontrair. Veja no site da Globo, as mais famosas celulites fotografadas em 2008.
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Final de ano é sempre assim. Os acontecimentos que marcaram, os melhores nisso, os piores naquilo e retrospectivas em geral. Mas a novidade agora é a retrospectiva das celulites do ano, é mole? Se é de bom gosto ou não, bem... deixemos isso pra lá. Vale pela diversão, ajuda a descontrair. Veja no site da Globo, as mais famosas celulites fotografadas em 2008.
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18 dezembro 2008
TAJ MAHAL POR DENTRO
(clique na imagem para ampliar)Admirado no mundo todo e eleito como uma das sete maravilhas do mundo moderno, o Taj Mahal guarda em seu interior o que tem de mais suntuoso. Aqui está um breve passeio pelas dependências internas do mausoléu, que levou 22 anos para ser concluído e mobilizou 22.000 operários, em Agra, na Índia.
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17 dezembro 2008
POR TRÁS DA CRIAÇÃO: "GOSTAVA TANTO DE VOCÊ"
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Você já viu ou ouviu alguma daquelas composições em cuja letra lemos algo muito diferente daquilo que diz ou inspirou o compositor? Aqui está mais um caso curioso. Primeiramente, veja a letra, a seguir:
"Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar
Você marcou a minha vida
Viveu morreu na minha historia
Chego a ter medo do futuro
E da solidão que em minha porta bate
E eu gostava tanto de você
Gostava tanto de você
Eu corro e fujo destas sombras
Em sonhos vejo esse passado
E na parede do meu quarto
Ainda esta o seu retrato
Não quero ver para não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você
E eu gostava tanto de você
Gostava tanto de você..."
Trata-se de conhecido sucesso, gravado por Tim Maia e outros intérpretes. Segundo se comenta na internet, a letra não fala da mulher que abandonou quem a amava, mas sim da filha que um pai perdeu. Das várias fontes que se referem ao fato, remeto ao blog Partida e Chegada, que faz o seguinte comentário: "Circula pela internet a informação de que o autor queria homenagear a filha, falecida. Todavia, não há informação concreta de que o compositor Edson Trindade, falecido em 05/02/1993, tivesse perdido alguma filha, ao contrário de Tim Maia (Sebastião Rodrigues Maia), que perdeu uma filha quando esta tinha 15 anos, num acidente de carro.Embora só viesse a ser gravada em 1973, no LP "Tim Maia", “Gostava Tanto de Você” é do final dos anos 50. A música fez muito sucesso já naquele ano. O compositor Edson Trindade era amigo de Tim Maia desde 1957 quando participaram juntos do conjunto de rock "Os sputnicks" e, em 1958, do conjunto "The snakes", junto com Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Arlênio Gomes.
Logo, a história de que a letra da música homenageia a filha falecida do autor pode ser mais uma das muitas lendas que circulam na rede de computadores. A única hipótese possível é de que Trindade, que figura como único autor, tenha composto letra e música especialmente para homenagear a filha do amigo cantor."
Clique aqui para ouvir Gostava tanto de você. Para evitar duplicidade de áudio, interrompa a execução da Rádio Blog (janela na coluna à esquerda).
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Você já viu ou ouviu alguma daquelas composições em cuja letra lemos algo muito diferente daquilo que diz ou inspirou o compositor? Aqui está mais um caso curioso. Primeiramente, veja a letra, a seguir:
"Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar
Você marcou a minha vida
Viveu morreu na minha historia
Chego a ter medo do futuro
E da solidão que em minha porta bate
E eu gostava tanto de você
Gostava tanto de você
Eu corro e fujo destas sombras
Em sonhos vejo esse passado
E na parede do meu quarto
Ainda esta o seu retrato
Não quero ver para não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você
E eu gostava tanto de você
Gostava tanto de você..."
Trata-se de conhecido sucesso, gravado por Tim Maia e outros intérpretes. Segundo se comenta na internet, a letra não fala da mulher que abandonou quem a amava, mas sim da filha que um pai perdeu. Das várias fontes que se referem ao fato, remeto ao blog Partida e Chegada, que faz o seguinte comentário: "Circula pela internet a informação de que o autor queria homenagear a filha, falecida. Todavia, não há informação concreta de que o compositor Edson Trindade, falecido em 05/02/1993, tivesse perdido alguma filha, ao contrário de Tim Maia (Sebastião Rodrigues Maia), que perdeu uma filha quando esta tinha 15 anos, num acidente de carro.Embora só viesse a ser gravada em 1973, no LP "Tim Maia", “Gostava Tanto de Você” é do final dos anos 50. A música fez muito sucesso já naquele ano. O compositor Edson Trindade era amigo de Tim Maia desde 1957 quando participaram juntos do conjunto de rock "Os sputnicks" e, em 1958, do conjunto "The snakes", junto com Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Arlênio Gomes.
Logo, a história de que a letra da música homenageia a filha falecida do autor pode ser mais uma das muitas lendas que circulam na rede de computadores. A única hipótese possível é de que Trindade, que figura como único autor, tenha composto letra e música especialmente para homenagear a filha do amigo cantor."
Clique aqui para ouvir Gostava tanto de você. Para evitar duplicidade de áudio, interrompa a execução da Rádio Blog (janela na coluna à esquerda).
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14 dezembro 2008
AOS 101 ANOS, NIEMEYER PASSEIA EM BRASÍLIA
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Às vésperas de completar 101 anos, Oscar Niemeyer deixa o Rio e viaja mais de 1.000 km de carro para visitar Brasília. O jornal Correio Braziliense acompanhou parte da viagem e conta como é a vida atual do gênio da arquitetura, as amizades, a aversão por aviões, os galanteios e a visão de quem passou dos 100 anos construindo sucesso, histórias e um estilo especial de vida. Veja a matéria na internet.
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Às vésperas de completar 101 anos, Oscar Niemeyer deixa o Rio e viaja mais de 1.000 km de carro para visitar Brasília. O jornal Correio Braziliense acompanhou parte da viagem e conta como é a vida atual do gênio da arquitetura, as amizades, a aversão por aviões, os galanteios e a visão de quem passou dos 100 anos construindo sucesso, histórias e um estilo especial de vida. Veja a matéria na internet.
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12 dezembro 2008
RAPIDINHAS DA SEMANA
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A leitora Vitória (Cabo Frio) e o amigo Peter (Londres) escreveram pedindo detalhes sobre a origem do texto que gravei na nova mensagem de voz deste Blog (janela na coluna à esquerda). Então vamos lá: em 1854, o governo dos Estados Unidos quis comprar as terras do chefe indígena Seatle. Sua resposta, transmitida ao presidente por carta, exprime uma visão pura, ancestral, anímica, essencialmente ecológica e apoiada numa filosofia naturalista e muito coerente. A carta do cacique ganhou importância nos tempos recentes, com a ampliação da consciência ecológica e hoje é uma peça famosa, distribuída pela ONU. O que mais impressiona é a precisão de suas palavras, ditas há um século e meio, mas que parecem encomendadas para advertir o mundo dos nossos dias. Na gravação, pincei apenas pequenos trechos da carta.
Nesta semana, adicionei alguns links para imagens geradas por câmeras espalhadas em áreas centrais de algumas cidades, como Paris, Nova Iorque, Las Vegas e Brasília (na coluna à esquerda desta página). Tudo em caráter experimental, por enquanto. No caso de Brasília, existem três links, sendo que um deles alterna um ângulo que mostra parte da decoração natalina na Esplanada dos Ministérios, muito atraente à noite. Infelizmente, essa câmera não está muito regular. Mas quando ela está ligada, vale dar uma espiadinha. A de Nova Iorque (no Times Square) é um show, com direito a microfone ligado para captar o som da rua.
Hoje, numa rodinha bem informada, lá no clube, o papo chamava a atenção. O motivo da discussão: nos jornais, duas notícias em destaque, ambas do setor público, no mesmo dia e tratando de medidas econômicas. A primeira notícia: o Copom (Banco Central) decidiu manter a taxa básica nos 13,75% para segurar o consumo e conter pressões inflacionárias. A segunda notícia: anunciaram medidas para estimular o consumo, especialmente no setor automobilístico. Parece que a galera não estava entendendo nada... Até o momento em que saí, não tinham chegado a conclusão alguma.
Quem gosta da obra de Machado de Assis e leu Dom Casmurro, certamente acompanha agora a série Capitu, na Rede Globo. Para esses amigos, pode ser interessante conhecer detalhes da produção e as opiniões de críticos sobre a micro-série na TV. No mínimo, ajuda a entender o trabalho de Luiz Fernando Carvalho, o cineasta e diretor que gosta de levar para as telas as melhores páginas da literatura. É verdade que às vezes Luiz Fernando agrada mais a crítica do que o público. Aconteceu algo parecido com o longa-metragem Lavoura Arcaica, uma versão do livro de igual título, de Raduan Nassar, quando o cineasta fez uma ponte direta entre o livro e a telona, sem passar por um roteiro, o que resultou num filme longo e meio prolixo e cansativo para alguns. No caso da série de TV atual, é diferente. Um dos aspectos que chamam a atenção é a linguagem, que abusa da caricatura, da distorção e de um certo surrealismo teatral. Assim, é bom dar uma olhada nas avaliações críticas para entender as razões dessa linguagem. Deixo aqui alguns links com comentários sobre a produção da TV Globo:
Revista Veja
Estadão/Blog da Cristina Padiglione
UOL/TV
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A leitora Vitória (Cabo Frio) e o amigo Peter (Londres) escreveram pedindo detalhes sobre a origem do texto que gravei na nova mensagem de voz deste Blog (janela na coluna à esquerda). Então vamos lá: em 1854, o governo dos Estados Unidos quis comprar as terras do chefe indígena Seatle. Sua resposta, transmitida ao presidente por carta, exprime uma visão pura, ancestral, anímica, essencialmente ecológica e apoiada numa filosofia naturalista e muito coerente. A carta do cacique ganhou importância nos tempos recentes, com a ampliação da consciência ecológica e hoje é uma peça famosa, distribuída pela ONU. O que mais impressiona é a precisão de suas palavras, ditas há um século e meio, mas que parecem encomendadas para advertir o mundo dos nossos dias. Na gravação, pincei apenas pequenos trechos da carta.
Nesta semana, adicionei alguns links para imagens geradas por câmeras espalhadas em áreas centrais de algumas cidades, como Paris, Nova Iorque, Las Vegas e Brasília (na coluna à esquerda desta página). Tudo em caráter experimental, por enquanto. No caso de Brasília, existem três links, sendo que um deles alterna um ângulo que mostra parte da decoração natalina na Esplanada dos Ministérios, muito atraente à noite. Infelizmente, essa câmera não está muito regular. Mas quando ela está ligada, vale dar uma espiadinha. A de Nova Iorque (no Times Square) é um show, com direito a microfone ligado para captar o som da rua.
Hoje, numa rodinha bem informada, lá no clube, o papo chamava a atenção. O motivo da discussão: nos jornais, duas notícias em destaque, ambas do setor público, no mesmo dia e tratando de medidas econômicas. A primeira notícia: o Copom (Banco Central) decidiu manter a taxa básica nos 13,75% para segurar o consumo e conter pressões inflacionárias. A segunda notícia: anunciaram medidas para estimular o consumo, especialmente no setor automobilístico. Parece que a galera não estava entendendo nada... Até o momento em que saí, não tinham chegado a conclusão alguma.
Quem gosta da obra de Machado de Assis e leu Dom Casmurro, certamente acompanha agora a série Capitu, na Rede Globo. Para esses amigos, pode ser interessante conhecer detalhes da produção e as opiniões de críticos sobre a micro-série na TV. No mínimo, ajuda a entender o trabalho de Luiz Fernando Carvalho, o cineasta e diretor que gosta de levar para as telas as melhores páginas da literatura. É verdade que às vezes Luiz Fernando agrada mais a crítica do que o público. Aconteceu algo parecido com o longa-metragem Lavoura Arcaica, uma versão do livro de igual título, de Raduan Nassar, quando o cineasta fez uma ponte direta entre o livro e a telona, sem passar por um roteiro, o que resultou num filme longo e meio prolixo e cansativo para alguns. No caso da série de TV atual, é diferente. Um dos aspectos que chamam a atenção é a linguagem, que abusa da caricatura, da distorção e de um certo surrealismo teatral. Assim, é bom dar uma olhada nas avaliações críticas para entender as razões dessa linguagem. Deixo aqui alguns links com comentários sobre a produção da TV Globo:
Revista Veja
Estadão/Blog da Cristina Padiglione
UOL/TV
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HISTÓRIA DO RÁDIO NO BRASIL - 5ª PARTE (FINAL)
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Nas ondas do humor
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Nas ondas do humor
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11 dezembro 2008
HISTÓRIA DO RÁDIO NO BRASIL - 4ª PARTE
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Das páginas para as ondas do rádio.
Acione play no vídeo abaixo. Para evitar duplicidade de áudio, interrompa a execução da Rádio-Blog (clique no play/stop, na janela da coluna à esquerda).
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Das páginas para as ondas do rádio.
Acione play no vídeo abaixo. Para evitar duplicidade de áudio, interrompa a execução da Rádio-Blog (clique no play/stop, na janela da coluna à esquerda).
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10 dezembro 2008
HISTÓRIA DO RÁDIO NO BRASIL - 3ª PARTE
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No ar: as radionovelas
Para ver, clique play no vídeo abaixo. Para evitar duplo áudio, interrompa execução da Rádio-Blog (janela na coluna à esquerda).
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No ar: as radionovelas
Para ver, clique play no vídeo abaixo. Para evitar duplo áudio, interrompa execução da Rádio-Blog (janela na coluna à esquerda).
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09 dezembro 2008
HISTÓRIA DO RÁDIO NO BRASIL - 2ª PARTE
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Música, a mola propulsora do rádio:
(para ver o vídeo, clique play)
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Música, a mola propulsora do rádio:
(para ver o vídeo, clique play)
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08 dezembro 2008
HISTÓRIA DO RÁDIO NO BRASIL - 1ª PARTE
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Muitos são os amigos e visitantes que têm ou tiveram alguma ligação com o rádio, seja profissional, afetiva ou apenas recreativa. Por isso, hoje e nas próximas postagens, nosso assunto será A HISTÓRIA DO RÁDIO.
Para tanto, vou resgatar matérias mostradas ao público há muitos anos, pela Rede Globo, numa verdadeira viagem pelo passado do rádio, realizada quando se comemoravam seus 60 anos no Brasil (material que neste momento é disponibilizado pela Globo na internet).
A primeira delas é uma HOMENAGEM A PROFISSIONAIS QUE FIZERAM HISTÓRIA.
Para assistir, clique no play, no vídeo abaixo. Para evitar duplicidade de áudio, interrompa execução da Rádio-Blog, clicando no play/stop da janela na coluna à esquerda.
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Muitos são os amigos e visitantes que têm ou tiveram alguma ligação com o rádio, seja profissional, afetiva ou apenas recreativa. Por isso, hoje e nas próximas postagens, nosso assunto será A HISTÓRIA DO RÁDIO.
Para tanto, vou resgatar matérias mostradas ao público há muitos anos, pela Rede Globo, numa verdadeira viagem pelo passado do rádio, realizada quando se comemoravam seus 60 anos no Brasil (material que neste momento é disponibilizado pela Globo na internet).
A primeira delas é uma HOMENAGEM A PROFISSIONAIS QUE FIZERAM HISTÓRIA.
Para assistir, clique no play, no vídeo abaixo. Para evitar duplicidade de áudio, interrompa execução da Rádio-Blog, clicando no play/stop da janela na coluna à esquerda.
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06 dezembro 2008
RAPIDINHAS DA SEMANA

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Há dias, muitas áreas da cidade já mostram a alegria da decoração natalina. Na Esplanada dos Ministérios, essa árvore de natal (acima) é o centro das atenções.
Com muito atraso, finalmente instalei um contador de visitas visível nesta página (na coluna à esquerda). É um recurso interessante, que informa e ilustra com animação. É sempre animador ver, dia por dia, hora por hora, quantos amigos e de quais países estão nos visitando. Pena que quase 200.000 visitas não foram registradas aí, durante esse tempo em que deixei de ativá-lo (foram visitas só contabilizadas pelo contador privativo do Blog).
Alguns aniversários que o Blog registra nesta semana: Dra. Elizabeth Yamamoto, linense que mora em Brasília; Camila Zani, prima de Jundiaí; e Prof. Antonio Folchitto Verona, de Lins e Assis. Parabéns e forte abraço.
Um agradecimento à Dra. Jussara, que me enviou o comovente texto sobre episódios humanos ensejados pelas enchentes de Sta. Catarina (publicados nesta página).
Aos amigos de Brasília, uma dica: em muitos estacionamentos, principalmente neste fim de ano, a maioria dos flanelinhas não tem nada que os recomende como guardadores de coisa alguma. Levantamento recente concluiu que 80% deles têm passagem pela polícia. Todo cuidado é pouco. Veja a reportagem do DFTV.
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Há dias, muitas áreas da cidade já mostram a alegria da decoração natalina. Na Esplanada dos Ministérios, essa árvore de natal (acima) é o centro das atenções.
Com muito atraso, finalmente instalei um contador de visitas visível nesta página (na coluna à esquerda). É um recurso interessante, que informa e ilustra com animação. É sempre animador ver, dia por dia, hora por hora, quantos amigos e de quais países estão nos visitando. Pena que quase 200.000 visitas não foram registradas aí, durante esse tempo em que deixei de ativá-lo (foram visitas só contabilizadas pelo contador privativo do Blog).
Alguns aniversários que o Blog registra nesta semana: Dra. Elizabeth Yamamoto, linense que mora em Brasília; Camila Zani, prima de Jundiaí; e Prof. Antonio Folchitto Verona, de Lins e Assis. Parabéns e forte abraço.
Um agradecimento à Dra. Jussara, que me enviou o comovente texto sobre episódios humanos ensejados pelas enchentes de Sta. Catarina (publicados nesta página).
Aos amigos de Brasília, uma dica: em muitos estacionamentos, principalmente neste fim de ano, a maioria dos flanelinhas não tem nada que os recomende como guardadores de coisa alguma. Levantamento recente concluiu que 80% deles têm passagem pela polícia. Todo cuidado é pouco. Veja a reportagem do DFTV.
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05 dezembro 2008
04 dezembro 2008
O SOL RESSURGE EM SANTA CATARINA
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Passados os momentos mais críticos em Santa Catarina, o sol ressurge e, com sua luz, aparecem as primeiras reflexões sobre atitudes e lições humanas que se multiplicaram no desespero das enchentes. Recebi pela internet os textos abaixo, cujas letras traduzem um pouco das atitudes e sentimentos que a tragédia expôs:
Meus amigos,
O sol saiu!!!
Hoje, 27 de novembro de 2008, o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta “folga forçada” a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.
As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.
Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.
Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.
Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:
- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.
Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu:
COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.
(autor desconhecido)
.
Passados os momentos mais críticos em Santa Catarina, o sol ressurge e, com sua luz, aparecem as primeiras reflexões sobre atitudes e lições humanas que se multiplicaram no desespero das enchentes. Recebi pela internet os textos abaixo, cujas letras traduzem um pouco das atitudes e sentimentos que a tragédia expôs:
Meus amigos,
O sol saiu!!!
Hoje, 27 de novembro de 2008, o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta “folga forçada” a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.
As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.
Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.
Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.
Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:
- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.
Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu:
COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.
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O QUE VOCÊ SABE SOBRE A NOVA ORTOGRAFIA?
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Falta menos de um mês para entrar em vigor o Acordo Ortográfico assinado por oito países de língua portuguesa. Embora exista um cronograma de transição, com tolerância até 2012, muitas editoras e jornais adotarão a nova ortografia assim que ela estiver valendo. É o caso do grupo Estado (ao qual pertence o jornal Estado de S.Paulo).
As mudanças não chegam a ser profundas, mas envolvem detalhes que podem incomodar o dia-a-dia de quem escreve, especialmente as novas regras de acentuação e de hífen. Saiba mais sobre a nova ortografia no site do Estadão.
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Falta menos de um mês para entrar em vigor o Acordo Ortográfico assinado por oito países de língua portuguesa. Embora exista um cronograma de transição, com tolerância até 2012, muitas editoras e jornais adotarão a nova ortografia assim que ela estiver valendo. É o caso do grupo Estado (ao qual pertence o jornal Estado de S.Paulo).
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