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31 julho 2008

SUCESSO NAS NOITES E NOS PALCOS

Saia justa, visual sexy, ousada transparência e novo sucesso à vista. É Rihanna na noite de Nova Iorque e no novo clipe, que prenuncia mais um hit mundial: Disturbia. Clique aqui para ver o clipe.
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29 julho 2008

ÀS VEZES, A IMPRUDÊNCIA CHEGA A SER CÔMICA...

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Essa é para espantar e descontrair.
Entenda se puder. Por aqui nos indignamos com os absurdos da improvisação e da imprudência, não é? Então o que dizer de coisas assim:













27 julho 2008

AVÓS

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No dia dos avós (26/7), recebi da amiga Sônia Maria Friedrich a reprodução dessa mensagem inspirada, poética e cheia de ternura.

Avós
(Liza Costa)

Uma vida...
Uma caminho percorrido...
Um destino marcado...
Uma história vivida...
Sabedoria...
Respeito...
Vida...
Amo-vos, meus avós, meus exemplos...
Vossas rugas que marcam a história dos passos dados...
das lutas vencidas, das mágoas, dos sentimentos, das guerras perdidas...
Das angustias, das alegrias, dos momentos...
Recordações...
Histórias de uma vida...
De uma luta constante de ser, de vencer...
Lutaram por meus pais...
Lutaram por nós...
E agora lutam por um sorriso em nosso rosto...
Às vezes dou-vos um beijo rápido demais...
Talvez devesse ficar mais, saboreando a vossa pele tão enrrugada...
Talvez devesse sentir mais o rosto por onde tantas lágrimas se derramaram...
Talvez devesse pegar-vos mais na mão...
Quando contam vossas histórias de luta e sabedoria...
Talvez devesse sentir mais as mãos calejadas de anos de trabalho...
Talvez devesse sugar mais das vossas histórias únicas...
Mais ninguém me poderá contar as vossas histórias da mesma forma...
Mais ninguém terá uma alma, uma voz igual a vossa...
Que me inebrie, que me embale na vossa melodia...
Amo-vos de todo o meu coração...
Neste dia, nada mais posso fazer que uma homenagem e um beijo...
Mas o essencial não é o hoje...
Porque hoje, talvez seja mais fácil fazê-lo...
O importante é não me esquecer nunca...
de segurar vossa mão e a sentir, de vos dar um beijo...

sentir o vosso rosto...
Eu sei o que são para mim...
Espero que o sintam ...
Que o saibam também!
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25 julho 2008

500 ANOS DE ARTE INSPIRADA NA BELEZA FEMININA

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Recebi do amigo Cido Veríssimo o link para um curta metragem genial. É o vídeo de Philip Scott Johnson, que venceu o Most Creative Video - 2007 YouTube Awards. Mostra 500 anos de beleza feminina nas obras de arte. Uma pequena obra digital! A trilha sonora é executada por Yo-Yo Ma:Bach's Suite Nº 1, BWV 1007 In G Major - Sarabande.
Clique aqui para ver.
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23 julho 2008

DA POBREZA EM COSME VELHO À FUNDAÇÃO DA ACADEMIA

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A homenagem do FLIP 2008 a Machado de Assis criou oportunidade para maior divulgação e conhecimento de sua obra e sua biografia. Com isso, muitos aspectos pouco conhecidos de sua vida vêm à luz, para surpresa dos que o imaginam um escritor que nasceu pronto, com o melhor ambiente e as melhores escolas. A realidade do menino pardo, gago e franzino, nascido no morro do Livramento, estava longe disso. Não nasceu em ambiente letrado, não teve berço de ouro, não estudou em escolas famosas e, quando se dedicou às letras, não foi poupado pelo ataque de críticos e adversários da época.

Conheça mais sobre as adversidades na vida de Machado, no artigo de Sebastião Jorge, no Observatório da Imprensa.
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21 julho 2008

QUEM É ESSA MULHER SEM RAZÃO?

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MULHER SEM RAZÃO
Na janela à esquerda (VOKI), minha mensagem de voz cita trechos de um sucesso gravado por Adriana Calcanhoto. O que poucos sabem e que se trata de uma bela letra assinada por Cazuza. Para ouvir a música, clique aqui. Em seguida, clique sobre mulher sem razão.
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TRÊS COPOS, TRÊS FOTOS


Com a Lei Seca, muitas vezes o happy hour é em casa, como neste último fim de semana. Oportunidade para as companheiras exercitarem sua perspicácia. Aqui, por exemplo, Milady me flagra desavisado. E com mais precisão do que o bafômetro. Três copos, três momentos, três estágios de carranca e descontração, de acordo com o nível do copo... É o que se pode chamar de laboratório de pesquisa doméstica (clique sobre a imagem para ampliar).
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18 julho 2008

RAPIDINHAS DA SEMANA

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Foi com muita tristeza que os amigos do Norton se despediram dele nesta semana. Aos 58 anos, partiu daqui, deixando família, amigos e sua moto vermelha caída no asfalto, depois de um trágico acidente num dos acessos de Águas Claras-DF. Que a Bondade Divina o acolha e conforte sua família.

Dois aniversários na última quarta-feira: Dra. Sônia Maria, médica e psicanalista, gaúcha radicada em Brasília; e Dr. Cezar, meu ex-colega de duras jornadas, que hoje é assessor de um dos ministros do STJ. Parabéns e forte abraço a ambos.

Alguns leitores enviaram mensagens comentando a crônica -- ou melhor, o mini-conto -- que escrevi e publiquei aí logo abaixo (Amigo Engarrafado). Um deles, velho amigo, tece comentários elogiosos sobre a elaboração do texto, mas ao mesmo tempo se mostra interrogativo sobre a veracidade da história. Leo, o que escrevi é fiel relato dos fatos. Ainda que a liberdade literária permitisse fantasiar um pouco, não seria recomendável inventar nada sobre um acontecimento que foi do conhecimento público e envolveu alguém tão famoso. O episódio aconteceu no início dos anos 70, quando eu era repórter no interior de São Paulo. E quanto à citação de Vinícius sobre o "melhor amigo do homem", é bem conhecida. Ele realmente dizia isso sobre o "scotch".

Pra quem gosta de descontrair com as tensões alheias, vejam essa. Ficou engraçada a confusão que um jornal fez com a foto do Daniel Dantas. La Stampa, da Itália, publicou com destaque a notícia sobre a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Mas colocou uma grande foto do ator da Globo, que tem o mesmo nome (foto abaixo). Ma che imbroglio!!

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16 julho 2008

AMIGO ENGARRAFADO

(Escrito por Ricardo Zani)

Década de 70, época dos circuitos universitários pelo interior. Shows de intérpretes famosos da MPB, de cidade em cidade, reunindo público predominantemente estudantil, num clima bem descontraído.
O show de hoje promete. É aguardado com muita expectativa e cercado de cuidadoso planejamento. Famoso e respeitado, o principal nome do espetáculo já está na cidade.
Assim, logo pela manhã preparo o equipamento e vou ao seu encontro, para uma daquelas entrevistas em que o próprio artista fala do evento, confirma sua presença e responde algumas perguntas do repórter. A entrevista irá ao ar no noticiário de meio-dia, na Rádio Alvorada.
No hotel, localizo o apartamento onde ele se hospeda. A porta está entreaberta, mas prefiro tocar a campaínha. A voz vem lá do fundo, pedindo que eu entre. Dou uns passos e paro. Não vejo ninguém.
-- "Bom dia, amigo. Podemos conversar?", pergunto, sem conseguir localizá-lo.
-- "Sim, entra pra cá", responde.
Dou mais uns passos em direção à suíte, o único lugar onde ele poderia estar. Examino o ambiente e não vejo ninguém.
-- "Estou aqui, amigo. E você, onde está?", pergunto, já imaginando que alguém está de brincadeira.
-- "Chega mais".
-- "Sim, onde você está?", insisto.
-- "Vem pra cá, estou no banheiro".
Êpa, espanto-me em silêncio. No banheiro?
-- "Não, não. Fique à vontade, eu espero..."
-- "Mas eu vou demorar. Pode chegar, não tem problema, podemos conversar aqui mesmo", explica o artista.
A situação parece-me, no mínimo, estranha. Um ídolo está ali no banheiro, diz que vai demorar e me pede para entrevistá-lo lá mesmo. O problema é que, se eu não fizer isso, nem haverá tempo para apresentar a matéria ao meio-dia. Então, façamos do banheiro a sala de visita.
Avanço, ainda indeciso, e logo sinto um cheiro forte. Não, nada insuportável. É o cheiro de um charuto, fumegando no banheiro. Há uma banheira com água límpida quase até a borda. Dentro dela, um homem pelado. Tem o charuto em uma das mãos. Um copo com algo parecido com uísque está ao seu lado. À sua frente, um suporte apoiado nas bordas laterais e, sobre ele, uma pequena máquina de escrever.
Ali está, em carne e pêlos, o ídolo que logo mais brilhará no palco. Vinícius de Moraes pode ser um pouco excêntrico, mas na intimidade me parece gentil e atencioso, além de desinibido.
Vamos lá. Ligo o gravador e começo o bate-papo. Mas, ao contrário dele, não estou à vontade. Afinal, diante de mim está uma celebridade em franca nudez a desconcertar minha crônica sisudez. Contudo, o que mais me incomoda é o eco dentro do banheiro. Isso não fica bem na gravação. Acho que os ouvintes irão notar algo estranho... e não sei se na reportagem devo explicar o motivo do eco. Bem, a essas alturas não há mais o que fazer. Conversamos sobre o circuito universitário, sobre suas recentes apresentações em países vizinhos, as atuais parcerias, etc.
À noite, acontece o esperado: o show é um sucesso. Vinícius canta e fala durante horas, o tempo todo com bebida ao alcance das mãos. Enquanto o calor do público embala o poeta, o verão do oeste paulista, regado com bebida forte, não lhe faz bem. Resumindo: sai do show diretamente para a emergência do hospital. Quem diria, aquele inofensivo copo na banheira, pela manhã, dera início a uma jornada que acabaria na Santa Casa de Lins.
Uma vez internado, quer o ilustre paciente permanecer ali por mais uns dias, para um checape periódico. Assim, pede ao médico que avalie minuciosamente os problemas com o cachorro.
-- "O quê? Que cachorro? De que você está falando, Vinícius?", teria perguntado o médico.
A resposta, segundo dizem, teria sido de pouca poesia e cheia de filosofia:
-- "Doutor, não sabe o senhor que o uísque é o melhor amigo do homem? Ele é o cachorro engarrafado. Só precisamos ver se tem sido amistoso também com minha saúde..."
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14 julho 2008

A CRIATIVIDADE DE CHEMA MADOZ




Um dos mais talentosos artistas da fotografia espanhola, Chema Madoz explora formas criativas de ver o cotidiano. Com a fotografia, cria impressionantes metáforas e jogos visuais, conduzindo-nos a um nível de percepção surpreendente. Conheça o site que mostra a arte de Chema Madoz.

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11 julho 2008

RAPIDINHAS DA SEMANA

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Nem só de bons acontecimentos é feita a vida. Nesta semana, Lins se despediu de Alcides Ferrari, que ao longo de 75 anos deixou sua marca de simpatia e dedicação em diversos campos de atividade, de político a advogado, de professor a comentarista esportivo... Grande figura, que me remete ao velho Ferrari alfaiate, seu saudoso pai.

Fim de semana de recuperação de uma gripe insistente, com muitos dias sem malhação nem cervejinha. Nesta sexta, finalmente, uma trégua... Tenho de melhorar nos próximos dias, pois vem aí uma noitada fora de casa. E sozinho, com direito a alvará integral dela!! Também, nem poderia ser diferente. Exame de polissonografia é isso mesmo. Uma noite de sono na clínica, sem acompanhante, rsss...

Um abraço ao Galego, especialista em boas máquinas de duas rodas, que deu uma geral na minha, preparando-a para um longo passeio que se aproxima. Para os amigos da região, que ainda não sabem, o Galego está em casa nova, a apenas uma quadra do seu antigo endereço, no Setor de Oficinas Sudoeste.

Nesta semana, aniversário de Raquel Rosa, ex-colega de trabalho, que ainda segue por lá, agora a poucos passos da aposentadoria. Parabéns e um abraço carinhoso.

No país da piada pronta, o rótulo do chester (osso com peitão) informa: não contém glúteo. Essa é uma das venenosas do Monkey News, com José Simão. A outra é sobre o pega-pega em cima do Daniel Dantas. Nessa história de prende, solta, prende, solta, ele acabará preso no trânsito. Clique aqui para ver.

Por último, um texto que me parece, no mínimo, inquietante. Recebi pela internet, sem menção ao ao nome do autor, o que é uma pena, porque foi escrito com inteligência e discernimento. Leiam e reflitam.

Cheirar pode. Tomar uma taça de vinho não pode.

"Não beba uma taça de vinho. Cheire pó.
Não tome uma lata de cerveja. Fume um baseado.
Qual é a minha pinima com o pensamento politicamente correto?
Esses caras conseguem, invariavelmente, piorar aquilo que se propõem a melhorar.
A soma de esforços dessa gente com os do lobby da droga conseguiu, vejam que coisa, demonizar o consumo de álcool, mesmo o moderado. Não é por acaso que se agrava a legislação contra o álcool e se é cada vez mais tolerante com as drogas consideradas ilícitas: carregar maconha para a, digamos, queima pessoal é aceitável. Não obstante, a maconha integra a cadeia do crime organizado, e o álcool não.
Ora vejam: será que estou aqui a defender quem enche a cara e sai dirigindo?
Ah, não mesmo. Cadeia nele se for o caso. Que se lhe tome a carta para sempre. O problema da 'nova lei' é o excesso de rigor, que vai igualar o consumidor social — e existe — ao irresponsável que dirige embriagado.
Mais ainda: soma-se ao conjunto da obra o velho rancor anticapitalista disfarçado de amor pela humanidade: afinal, o álcool pertence a uma indústria. E os cavaleiros de um outro mundo possível têm apreço pelo mercado informal — inclusive o da droga.
Imaginem uma blitz. O sujeito que tomou uma taça de vinho pode ser multado em R$ 952 e perder a carteira. O cheiradão e o fumadão passarão numa boa.
E talvez ainda digam: 'Pô, esse pessoal que enche a cara põe a vida da gente em risco'.
Ademais, multas com essa severidade escancaram as portas para a corrupção policial. Mas não tem jeito. Estamos diante de uma doxa. E a doxa diz que o sujeito que fuma ou cheira apenas exerce um direito individual; já o que toma uma cerveja ou uma taça de vinho ou é vítima da propaganda do Zeca Pagodinho ou é um homicida em potencial.
A particular moralidade do politicamente correto, somada à burrice, é capaz de produzir prodígios de estupidez ."
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04 julho 2008

RAPIDINHAS DA SEMANA

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Para quem gosta de notícias sobre descobertas da medicina, quero citar um homem pouco conhecido entre nós. Judah Folkman pode ser um desses nomes que um dia entrará para a história dos grandes feitos da ciência. Pesquisador incansável, avesso a badalações, abriu um caminho de esperança na medicina moderna e mal começara a percorrê-lo quando, repentinamente, partiu deste mundo. Mas deixou mapeada a trilha que poderá trazer a cura definitiva para uma das mais temidas doenças do nosso tempo. É claro que aqui não é o espaço pra falar de medicina, mas permitam-me lembrar aos que se interessam pelo tema: o assunto é foco de matéria postada há poucos dias no blog Fronteiras do Conhecimento. Para acessar, clique aqui.

Bem movimentada e muito noticiada, está rolando a VI Festa Literária Iinternacional de Paraty, temperada com homenagens a Machado, shows de música e declarações polêmicas, como a da psicanalista e historiadora Elisabeth Roudinesco, que chegou da França e foi logo avisando: "somos todos perversos". Acompanhe a FLIP a partir dos links neste blog, em matéria do último dia 3.


Não é novo, mas ainda é requisitado e publicado em sites especializados. É um artigo sobre segurança básica na condução de motos, que escrevi há tempos. Desta vez, foi divulgado pelo Site Motoesporte.

Por último, quero mostrar aqui uma linda composição. Vim a conhecê-la há poucos dias, quando Isaac, meu irmão, "apresentou-me" essa pequena obra com referências elogiosas. Citarei o nome e o autor só ao final, para que, assim, o leitor possa testar sua memória artística.

Quando eu cantar
quero ficar molhado de suor.
E por favor não vá pensar
que é só a luz do refletor.
Será minha alma que sua
sob um sol negro de dor;
outro corpo, a pele nua,
carne, músculo e suor.
Como um cão que uiva pra lua
contra seu dono e feitor;
uma fera-animal ferido
no dia do caçador;
humaníssimo gemido
raro e comum como o amor.
Quando eu cantar
quero lhe deixar
molhada em bom humor.
E por favor não vá pensar
que é só a noite ou o calor.
Quero ver você ser
inteiramente tocada
pelo licor da saliva,
a língua, o beijo, a palavra.
Minha voz quer ser um dedo
na tua chaga sagrada.
Uma frase feita de espinho,
espora em teus membros cansados:
sensual como o espírito
ou como o verbo encarnado.

Sensual - Composição de Belchior e Tuca, interpretada por Belchior no álbum "Todos os Sentidos", de 1978. Deixo de indicar link para a música porque não a encontrei disponível na internet. Mas quando você encontrar, não deixe de ouvir.
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03 julho 2008

FESTA LITERÁRIA DE PARATY: MACHADO DE ASSIS É O HOMENAGEDO DO ANO

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A VI Festa Literária Internacional de Paraty, que começou ontem, dia 2, tem Machado de Assis como homenageado de 2008, ano que marca o centenário de sua morte.

Em sua palestra, o principal estudioso da obra de Machado no Brasil, o professor da USP e crítico literário Roberto Schwarz, foi centro das atenções na abertura da Festa. Segundo nota do site da FLIP, "Schwarz fixou suas observações no romance Dom Casmurro, sobretudo na cena inicial, passada no interior de um trem, na qual o protagonista, Bento, que é também o narrador em primeira pessoa, conta como recebeu, na forma de uma crítica de um conhecido que vivia em seu mesmo bairro, o apelido que dá título ao livro. Encarou o fato com naturalidade, até com simpatia, a ponto de conquistar a benevolência do leitor mais adiante, quando trata do suposto adultério de sua mulher, Capitu, nos braços de um grande amigo. Esse narrador, segundo Schwarz, nunca foi questionado ao longo de várias décadas, nem pelos críticos nem pelos leitores. Esse 'atestado de pureza' que lhe passaram, na opinião do estudioso, seria o espelho da sociedade patriarcal vigente no Brasil. Em outras palavras, todos sempre se preocuparam em descobrir se Capitu o havia traído ou não, sem jamais colocar em xeque a lógica ou a credibilidade do discurso do próprio Bento – e exatamente nisto, acredita Schwarz, reside o grande desafio de Dom Casmurro. O livro, na opinião dele, permite várias formas de leitura, desde a mais simples, romanesca, até aquela em que se põe em dúvida a figura (ou a sanidade mental) do narrador, um homem obcecado pelo ciúme. Schwarz afirma que nem mesmo os autores modernistas, que viam em Machado um sujeito conservador, alinhado com a classe dominante, souberam entender a sutileza da crítica social que estaria contida em seus livros. Ele admite que os quatro primeiros romances são 'fracos', ainda não deixam transparecer o autor genial que seria aclamado em seus anos de maturidade. Mesmo o Machado incensado nas décadas seguintes, segundo Schwarz, não é decifrado em sua plenitude, nem compreendido em suas sutilezas, mas antes alardeado pelo incomparável domínio do idioma, um estilista da palavra. Só na década de 1960, acredita ele, o autor de Dom Casmurro e outras obras-primas começou a ser reconhecido, nos meios cultos, como alguém que tinha muito a dizer sobre a estrutura social vigente no Brasil, em sua época. Nesse momento, os críticos passaram a compreender que o eixo do livro não estava na possível traição de Capitu, como insistiam seus antecessores, mas na própria voz que conta a história. Schwarz recorda que, após o golpe militar de 1964, a esquerda brasileira – assim como haviam feito os modernistas, na década de 1920 – reafirmou a figura de Machado de Assis como um autor 'de direita'. E foi justamente com a idéia de 'levá-lo para o campo oposto', que ele próprio resolveu se debruçar sobre a obra machadiana. Em diferentes momentos da conferência, Schwarz ressaltou em Machado um atributo que não muitos reconhecem, a ousadia, para além daquilo que todos reconhecem - a genialidade."

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