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23 setembro 2008

A DANÇA DOS VERSOS

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Por Ricardo Zani
Quero hoje falar para quem gosta dos elementos sonoros e rítmicos do texto literário. Não sou especialista, nem me proponho a ensinar coisa alguma nessa área. Gostaria apenas de trazer aqui um exemplo que diz muito, que ensina melhor que certas aulas.

Esse exemplo é clássico, muito utilizado na análise da riqueza sonora típica do bom verso. Trata-se de uma tradução. Como sabem, em literatura, tradução é sempre uma questão delicada. Mas quando se trata de traduzir poemas, as coisas ficam ainda mais difíceis, principalmente pelo risco de se perder parte dos elementos originais, como o contexto, a abrangência narrativa, a métrica, a rima e, sobretudo, o efeito rítmico.

A tradução a que me refiro é de O Corvo, de Edgar Allan Poe, um dos poemas mais conhecidos, apreciados e estudados no mundo. Existem várias traduções para o português, mas as mais citadas são a de Machado de Assis e a de Fernando Pessoa. Ambas são consideradas primorosas, mas há quem diga que Machado preservou melhor a riqueza narrativa, enquanto Pessoa soube preservar como ninguém a musicalidade, a combinação sonora do texto original. Faz sentido, já que uma das traduções vem pelas mãos de um gênio da prosa, enquanto a outra, de um gênio do verso. Temos aí uma deliciosa lição de literatura. Compare as duas traduções e perceba as qualidades de cada uma e as diferenças entre ambas.

Machado de Assis
Fernando Pessoa


Veja, abaixo, a espetacular interpretação de The Raven (O Corvo), no idioma original, com o ator Vincent Price.


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