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27 abril 2006

O POETA E O IMPOSTO DE RENDA



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Hoje é o penúltimo dia do prazo para entrega da declaração de renda... Como sempre, estou tentando concluir a minha já no final do prazo! E não consigo terminar, porque a rejeição inconsciente às crueldades do Leão me desvia da tarefa a todo instante. Agora mesmo, desviei-me, ao lembrar de uma crônica do Drummond a respeito do Imposto de Renda.

Então, meu amigo, faça como eu. Em vez de concluir logo sua Declaração, fique lendo Drummond. Vale a pena. Confira, abaixo.

DECLARA SUA RENDA

(Carlos Drummond de Andrade)

Sr. Diretor do Imposto de Renda:
O senhor me perdoe se venho molestá-lo. Não é consulta: é caso de consciência. Considerando o formulário para declaração do imposto de renda ao assimilável aos textos em caracteres cuneiformes, sempre me abstive religiosamente de preenchê-lo. Apenas dato e assino, entregando-o, imaculado como uma virgem, a um funcionário benévolo, a quem solicito: “bote aí o que quiser.” Ele me encara, vê que não sou nenhum tubarão, rabisca uns números razoáveis, faz umas contas, conclui: “é tanto.” Pago, e vivemos in love, o Fisco e eu. Mas este ano ocorreu uma dúvida, a primeira até hoje em matéria de renda e de imposto devido. O bom funcionário não soube resolvê-la, ninguém na repartição o soube.

Minha dúvida, meu problema, sr. diretor, consiste na desconfiança de que sou, tenho sido a vida inteira, um sonegador do Imposto de Renda. Involuntário, inconsciente, mas de qualquer forma sonegador. Posso alegar em minha defesa muita coisa: a legislação, embora profusa e até florestal, é omissa ou não-explícita; os itens das diferentes cédulas não prevêem o caso; o órgão fiscalizador jamais cogitou disso; todo mundo está nas mesmas condições que eu, e ninguém se acusa ou reclama contra si mesmo. Contudo, não me conformo, e venho expor-lhe lealmente as minhas rendas ocultas.

A lei manda cobrar imposto a quem tenha renda líquida superior a determinada importância; parece claro que só se tributam rendimentos em dinheiro. A seguir, entretanto, a mesma lei declara: “são também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse, como se lhes pertencesse.” E aqui me vejo enquadrado e faltoso. Tenho a posse de inúmeros bens que não me pertencem e de que desfruto copiosamente. Eles me rendem o máximo, e nunca fiz constar de minha declaração tais rendimentos.

Esses bens são: o sol, para começar do alto (só a temporada de praia, neste verão que acabou, foi uma renda fabulosa); a lua, que, vista do terraço ou da calçada da Av. Atlântica, diante do mar, me rendeu milhões de cruzeiros-sonho; as árvores do Passeio Público e do Campo de Santana, que alguém se esqueceu de cortar; a montanha, as crianças brincando no playground ou a caminho da escola; em particular, três meninos que vêm e que vão pelo ar, tão moleques e tão rendosos para este coração; as mangas, os chocolates comidos contra prescrição médica, um ou outro uísque sorvido com amigos na calma calmíssima; os versos de três poetas, um francês, um português e um brasileiro; certos prazeres como andar por andar, ver figura em edições de arte, conversar sem sentido e sem cálculo; um filmezinho como Le Petit Poisson Rouge, em que o gato salva o peixe para ser gentil com o canário, indicando um caminho aos senhores da guerra fria; e isso e aquilo e tudo mais de alta rentabilidade... não em espécie.

Estes os meus verdadeiros rendimentos, senhor; salários e dividendos não-computados na declaração. Agora estou confortado porque confessei; invente depressa uma rubrica para incluir esses lucros e taxe-me sem piedade. Multe, se for o caso; pagarei feliz. Atenciosas saudações.

24 abril 2006

BRASÍLIA 18%



Riccelli e Malu Mader são protagonistas. Mônica Keiko (acima), com apenas 15 aninhos, estréia com originalidade no cinema, embora seu papel no filme seja pobre (uma garota de programa que reside no Riacho Fundo-DF).



Amigos, vou gastar algumas linhas pra falar de cinema nacional. Fui ver Brasília 18% neste fim de semana. Sabem como é, a proposta do filme me pareceu nobre e oportuna, ao trazer para o cinema situações dos podres bastidores da política nacional, neste momento de revelações, mensalões. celebrações da impunidade e quando a bandalheira é bandeira e também quase uma bancada parlamentar.

Mas, lamentavelmente, o filme segue por outro caminho, vai por um atalho pequeno... Ao deter-se demais em aspectos secundários e detalhes subjetivos, desperdiça a excelente chance de trazer ao espectador uma visão ampla e uma percepção crítica mais lúcida -- o que seria uma contribuição estratégica ao poder de discernimento político da opinião pública.

Tudo bem, trata-se de uma ficção, não um documentário. Mesmo assim, é uma pena. A bola quicou aos pés dos roteiristas... e eles preferiram jogar botão a fazer um golaço para virar o jogo!!!

Outra falha do filme é fazer coro aos que confundem a cidade com a sujeira política. Ora, Brasília não é só orgia e safadeza! Existe uma imensa população de gente honesta, que trabalha duro... E, a bem da verdade, a maioria dos políticos safados chega aqui pela vontade (ou pela ingenuidade) dos eleitores de outros estados...

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20 abril 2006

CHAMA-ME...

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Se um dia lhe der uma louca vontade de chorar,
Chama-me.
Não lhe prometo fazer sorrir,
Mas posso chorar com você...

Se um dia resolver fugir,
Não se esqueça de me chamar.
Não lhe prometo pedir pra ficar,
Mas posso fugir com você.

Se um dia lhe der uma louca vontade
De não falar com ninguém,
Chama-me assim mesmo.
Prometo ficar bem quietinho.

Mas...
Se um dia você me chamar e eu não for,
Vem correndo ao meu encontro...
Talvez eu esteja precisando de você...

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19 abril 2006

NOVA IMAGEM DO NOVO ÍCONE

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Feriados da Semana Santa, mais uma rápida viagem, um domingo movimentado aqui (batizado na família, visitas, minha casa cheia, churrasco... rs), bem, depois de alguns dias atípicos, estou atualizando o Blog. Uma das imagens que consegui nesses dias foi essa aí da foto noturna. Um ângulo interessante, com perspectiva e detalhes da Ponte JK, novo ícone de Brasília. Clique aqui para ver a imagem ampliada, com música.

12 abril 2006

VOSSA EXCELÊNCIA


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Um recado sobre música, porque tem música na política. Não é a música da deputada que dançou pra comemorar a vitória da impunidade. É o som dos Titãs, um grito de protesto contra a corrupção e a imoralidade na política. Veja a letra e clique no link para ouvir Vossa Excelência.

Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora! Senhores! Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado
Isso não prova nada!
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento
Aí então...
Faça-se a justiça!
Vamos arrumar vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta!
Senhores! Corrupto! Senhores! Bandido! Senhores! Ladrão!

Clique aqui para ouvir.
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11 abril 2006

TÔ DE VOLTA

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Olá pessoal! Depois de uns 10 dias, estou de volta, com a cabeça arejada, corpo descansado e umas 500 fotos nos quatro cartões das câmeras!! Calma, não vou colocá-las aqui. Só uma ou outra, pra registrar belos lugares do litoral norte de SP, onde fiquei durante oito dias. Essa foto aí, por exemplo, é um dos belíssimos cenários às margens da BR 101 (Rio-Santos), entre Ubatuba e Parati, onde existem praias paradisíacas (CLIQUE AQUI PARA VER A IMAGEM AMPLIADA, COM MÚSICA).

Não vou “encher” vocês com aqueles relatos minuciosos de turista caipira, que cansam e invejam os leitores e ouvintes que não puderam ir. Ficarei só no resumo da ópera. Vamos lá:

LITORAL NORTE DE SP – uma coleção de praias lindas, cenários paradisíacos e lugares gostosos. Pra mim, que há muitos anos preferia só Rio e litoral catarinense, foi uma redescoberta!!

UBATUBA – coração do litoral norte. Só no município, são mais de 70 praias – e bonitas!!. Não vi poluição nem exploração comercial. Nem violência ou sacanagem, como se vê no Rio. Nem a improvisação e a preguiça que se vê em alguns lugares ao nordeste. Nem falta de organização e de estrutura que se vê em outros cantos... Perfeito para quem quer paz, beleza e qualidade!! Foi bom ouvir os comentários do Isaac, meu irmão, que é “freguês” do lugar. Eu também fiquei freguês!

HOTEL – Na baixa estação dá pra conseguir hoteis interessantes com excelentes descontos. Descolei o Porto di Mare, na praia da enseada. Dentro da praia, Ap de frente pro mar. A dona Alba, a simpática italiana que é dona do hotel, deu um desconto de 50% nas diárias!

RIO-SANTOS – Só a BR 101, com suas curvas deliciosas margeando o litoral e desfilando cenários de tirar o fôlego, já é um passeio privilegiado!

PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR – entre Ubatuba e Taubaté, passa-se pelo parque, na Serra do Mar. Um santuário ecológico!! Pra subir a Serra, o carro será bem exigido. Em pelo menos quatro pontos da rodovia, é quase obrigatório usar a primeira marcha... e pisando com vontade, senão o motor morre e aí você tá no sufoco! Não dá pra arriscar com pneus lisos e chuva.

PARATI – bem perto, só 72 km de Ubatuba. Mas lá é outra história, em todos os sentidos. A cidade parece não estar sendo bem cuidada. O surto da dengue está por lá. Desisti de me hospedar em Parati. Fui apenas para um passeio de poucas horas (com repelente na pele, depois de tomar umas cápsulas do complexo B, que também está sendo usado como repelente do mosquito aedes).

DENGUE – O mosquito proliferou muito no último verão. Fiquei assustado com as coisas. Não dá pra parar numa cidade antes de saber como está a dengue por lá. Parati, Triângulo Mineiro, São José do Rio Preto são exemplos de altíssimos índices de dengue nesses primeiros meses do ano. Não se engane. A dengue pode maltratar muuuuuito mais que uma simples gripe (meu filho teve neste ano e me contou como foi). Tem um detalhe> muita gente contrai a dengue e deixa de informar à rede pública, o que distorce as estatísticas. Só pra você ter uma idéia: as estatísticas oficiais registram 7.000 casos no triângulo mineiro neste ano. Pois bem, agora o que se vê na realidade: só em Uberaba, fala-se em 40.000 casos!!! Não há médicos para atender os doentes, porque os médicos estão com dengue (isso deu no Jornal Nacional de 10/4/2006!!!!!). Cadê as autoridades da saúde pública?????????????

RIBEIRÃO PRETO – viajando de carro de Brasília para o litoral norte de SP, é escala obrigatória pra mim. Na ida e na volta, parei lá pra “abastecer” (é claro, no Pinguim, conhecido como o melhor chope do Brasil...).

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