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29 novembro 2005

BLOGUEIROS CAMPEÕES "DE AUDIÊNCIA"


Só para quem não viu na TV: Fernando Rodrigues (foto à esquerda), o autor do blog de notícias políticas mais lido do Brasil, esteve nesta madrugada no programa do Jô Soares falando sobre o sucesso de seu trabalho. Para ele, atualmente o blog é a mídia que melhor combina agilidade, rapidez e alcance mundial. Clique aqui para saber mais sobre a entrevista.


BLOG DO JOSIAS. DE OLHO NOS BASTIDORES DO PODER

Outro blog interessante, que acompanha os bastidores de Brasília, é o do jornalista Josias de Souza (foto à esquerda). Ele foi diretor da sucursal da Folha no DF e está no jornal há 19 anos. Ocupou funções variadas - de repórter a secretário de Redação, mas nunca abandonou a atividade que considera a essência de seu trabalho: a reportagem. Em 2001 ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército". Josias de Souza tem especial aptidão pela apuração jornalística de malfeitorias administrativas que drenam os recursos dos cofres públicos.

Por essas e outras, resolvi colocar no cabeçalho do meu blog, lá no alto, um link permanente para o blog do Josias.

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UM BRINDE AO BOM GOSTO


Depois daquela última foto aqui (camionete carregando "trocentas" pessoas na caçamba...), convém restaurar o senso de organização e estética... Que tal essa outra foto, acima, para repor o bom senso ? Clique aqui para ver a foto ampliada, com música. (Foto: Revista VIP, novembro 2005).

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27 novembro 2005

VINÍCIUS, O FILME




Pessoal, não posso deixar de falar alguma coisa sobre o filme que vi ontem. Pra mim, valeu por 10 filmes !! Liguei-me tanto no conteúdo que nem sei dizer se a qualidade técnica da produção é lá essas coisas, mas não vi defeito.

Sou da geração que conheceu Vinícius no auge da fama e a partir daí sempre o admirei. Tive um único contato pessoal com ele, quando eu era repórter no estado de SP e fui entrevistá-lo. Nunca me esqueço da cena. Foi no hotel onde ele se hospedava. Cheguei, fiz-me anunciar e, pelo interfone, ele pediu pra eu subir. Empurrei a porta e não havia ninguém na sala. Procurei pelo apartamento e não encontrei ninguém. Então ouço sua voz gritando “Chega pra cá, amigo, aqui no banheiro.”

Ele estava peladão na banheira, um copo numa das mãos e um charuto na outra. Óbvio que não iria sair dali tão cedo. Então, recebeu-me no banheiro e pediu pra que eu gravasse ali mesmo...

Vinícius foi personagem de uma série de transformações no Rio, tendo criado para si um dos percursos mais relevantes da cultura brasileira no século XX

Bem, o filme “Vinícius” foi apresentação de abertura no Festival do Rio 2005. Dirigido por Miguel Faria Jr, apresenta um belo pocket show com dois ótimos atores. Coloca na tela a vida e a carreira de Vinícius de Moraes, com um desfile de gente que conviveu com o poeta ou tem alguma coisa em comum com ele: Adriana Calcanhoto, Mariana de Moraes, Zeca Pagodinho, Antônio Cândido, Caetano Veloso, Carlos Lyra, Chico BuarqueFerreira Gullar, Edu Lobo, Francis Hime, Georgiana de Moraes, Gilberto Gil, Luciana de Moraes, Maria Bethânia, Maria de Moraes, Miúcha, Susana Moraes, Tônia Carrero, Toquinho e outros.

O filme tem muitos bons momentos. Os depoimentos de Chico Buarque, por exemplo, estão ótimos. Outro momento alto é quando ele lembra do Poema dos Olhos da Amada. Quando Vinícius cantava, era aquele silêncio absoluto para ouvir cada nota e cada palavra... Então, Caetano chega com o violão para fazer Poema dos Olhos da Amada:

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

CLIQUE AQUI PARA VER IMAGEM AMPLIADA E OUVIR VINÍCIUS

CLIQUE AQUI PARA VER A FICHA TÉCNICA DO FILME

CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE A EXCELENTE TRILHA MUSICAL DO FILME

É isso, gente. Gostei muito e recomendo.

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24 novembro 2005

GAROTA AGITA A CHINA COM SEU BLOG

Pessoal, esta notícia é de hoje (24/11/2005) e saiu no New York Times, com o título
"Garota festeira realiza revolução online da China".

Mu Mu faz poses para a web cam, fala de sexo, intelecto e política. Desde julho, o seu blog é acessado por dezenas de milhares de chineses.


O seu blog estava no ar havia quatro dias apenas, e, ao atualizá-lo, ela se apresentou ao mundo de maneira surpreendente, nos termos seguintes: "Eu sou uma dançarina, e sou membro do Partido"."Eu não sei se posso ser considerada como uma dançarina 'Web cam' bem-sucedida", prosseguia ela neste texto inicial. "Mas estou certa de que se eu olhar para outras dançarinas pelo mundo afora, posso até mesmo não ser aquela que tem o diploma mais elevado, mas sou definitivamente a garota que mais lê e que pensa com maior profundidade, e, com certeza quase absoluta, sou a única dentre elas a ser membro do partido".

Imagens que Mu Mu posta em seu blog

Foi assim que nasceu, no início de julho, aquilo que muitos consideram como o blog o mais popular da China. Às vezes, o timing é tudo, e este foi o caso com esta blogueira anônima, que se descreve como membro do Partido Comunista, oriunda de Xangai, e se apresenta sob o pseudônimo de Mu Mu. Uma mulher de 25 anos, Mu Mu vai ao ar no endereço blogcn.com/user48/wunv6/blog/index.html, quase todas as noites, por volta da meia-noite.

Ela mantém seu rosto coberto enquanto ensaia poses que são provocantes, porém nunca sexualmente explícitas. Ela contorna as perguntas de alguns dos seus fãs e seguidores ávidos, que são dezenas de milhares, com atitudes espirituosas e um charme desenvolto. Na China, as páginas na Internet já existem desde o início desta década, mas o formato explodiu nos últimos meses, desafiando os sempre vigilantes censores online chineses e dando consistência e forma humana ao tipo de sociedade civil com liberdade de expressão cuja emergência o governo há muito está determinado a impedir ou, ao menos, a controlar com firmeza.

Os especialistas em Internet afirmam que esta explosão dos blogs é o resultado do forte crescimento da utilização da banda larga, somada aos enormes avanços comerciais obtidos pelos provedores de Internet do país, que estão empenhados em seduzir e conquistar seus usuários. As estimativas mais comuns da quantidade de blogs existentes na China vão de 1 milhão a 2 milhões, números esses que seguem aumentando rapidamente.

Sob o regime do atual líder da China, Hu Jintao, o governo empreendeu uma campanha enérgica contra a liberdade de expressão, proibindo que intelectuais de notoriedade pública sejam promovidos pelos veículos de informação; impondo restrições a websites; pressionando companhias que desenvolvem softwares de busca, tais como o Google, a excluírem tópicos delicados, em particular aqueles que dizem respeito à democracia e aos direitos humanos; e censurando pesadamente os grupos de discussões online nas universidades e em qualquer outro lugar. Até agora, as autoridades chinesas contaram, sobretudo, com a cooperação das empresas provedoras de serviços na Internet para policiar os blogs e outras publicações online.

Qualquer comentário que seja provocativo demais, ou que seja excessivamente crítico para com o governo não raro é censurado pelo provedor. Às vezes, os sites recebem uma enxurrada de comentários contraditórios - muitos acreditam que eles sejam enviados pelos censores oficiais --que são mais favoráveis ao governo. Em certos casos, os blogs são desativados de uma só vez, temporário ou permanentemente. Mas as autoridades ainda não parecem ter uma resposta à proliferação da opinião pública por meio deste formato. A nova onda de blogs teve início neste ano. No passado, alguns poucos pioneiros desta forma de expressão se sobressaíram, mas agora, imensas comunidades de blogueiros estão se multiplicando por todo o país, muitos dos quais promovendo as ofertas online dos seus concorrentes e amigos que vendem livros, discos ou, como no caso de Mu Mu, comentários em fluxo contínuo sobre sexualidade, intelecto e identidade política. "Os novos blogueiros estão replicando às autoridades, mas de uma maneira humorística", explica Xiao Qiang, o diretor do grupo de estudos China Internet Project (Projeto de Internet para a China), baseado na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

"As pessoas dizem quase sempre que você pode dizer o que quiser na China, quando sentado à mesa durante o jantar. Mas não em público. Agora, os blogs se tornaram mesas de jantar, e isso é uma novidade". "O conteúdo é com freqüência político, mas não diretamente político. Ou seja, a pessoa não está defendendo nenhuma idéia, mas, ao mesmo tempo, ela está
minando a base ideológica do poder".

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USANDO O PODER DA MENTE


Aí está a fera, a mesma da foto aí logo abaixo. Aqui, usei o poder da mente para dominar essa perigosa pantera negra, dentro da sua jaula... Se alguma pantera duvidar desses meus poderes, posso demonstrá-los pessoalmente... rss... Oh, céus, hoje tô cheio de gracinhas... rs.

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22 novembro 2005

A BELEZA DO PRETO NA FOTOGRAFIA


pantera.jpg

UM ALERTA

Pessoal, recebi outro daqueles e-mails cuja veracidade não se consegue apurar. Tentando entender sem paranóias e sem alarmismos, vejo que se trata de um alerta com certa coerência. No caso desse alerta, não temos nada a perder se dermos um pouco de atenção ao que ele está dizendo... (texto reproduzido abaixo).

Morreu Orlando. Brilhante advogado e pai da modelo Daniela Sarahyba, numa situação absolutamente igual a anterior.

Ele tinha uma casa e uma lancha em Angra. Ao sair na lancha com amigos, num domingo, levou na geladeira da embarcação latas de cerveja e refrigerantes.

No dia seguinte, 2a. feira, estava internado numa UTI e morto na 4a. feira.

Ele era um atleta, adorava a vida, que a vivia com intensidade.

O exame cadavérico atestou leptospirose fulminante contraída na lata de cerveja que ele havia tomado, sem copo e sem canudo, no barco.

O exame das latas atestou que estavam infestadas de urina de ratos,conseqüentemente de leptóspiras.

MUITO CUIDADO !!!

AVISO AOS CONSUMIDORES DE BEBIDAS EM LATA:

Toda vez que comprar uma lata de refrigerante, tome cuidado de lavar a parte de cima com água corrente e sabão, se possível, use canudo.

Aqui em casa, é obrigatório lavar as latas com desinfetantes mesmo as que vão à geladeira.

Uma amiga da família morreu depois de beber uma soda em lata.

Provavelmente ela não limpou a parte superior da lata antes de beber, e a lata estava suja com urina de rato seca, que contém substâncias tóxicas e letais, inclusive leptóspiras, causadoras da leptospirose.

Bebidas em lata e outros alimentos enlatados ficam guardados em armazéns que geralmente estão infestados de roedores, e posteriormente são transportados para as lojas de venda sem a devida limpeza.

Complementando:


Uma pesquisa do INMETRO confirmou que a tampa da latinha do refrigerante é mais poluída que um banheiro público.

Segundo essa pesquisa, a quantidade de vermes e bactérias era tão intensa que eles sugeriam que se lavasse a tampa da latinha com água e sabão".

Dr. Fabio Lopes Olivares
Setor de Citologia Vegetal
Laboratório de Biologia Celular e Tecidual (LBCT)
Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB)
Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF)
Av. Alberto Lamego, 2000 - Horto 28015-620 - Campos dos Goytacazes(RJ)
Tel: (24) 726.3838 / Tel(fax): (24) 726.3714

Por favor, encaminhe este aviso às pessoas com quem você se preocupa e ama...


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20 novembro 2005

18 novembro 2005

NO LOMBO DA FERA




By Zé Ricardo Zani

Dia longo, morno e cinzento...

Céu brilhante com tons cinza, da névoa seca e das queimadas no mato sem chuva.

Sobre o chão plano, o bicho empinado rosna em posição de ataque, encarando o horizonte como se visse uma fêmea no cio.

Em cima dele, minhas mãos seguram o ímpeto da fera.

Solto-o na estrada, onde tem o que quer. Espaço e liberdade para mover-se, dominar, conquistar, explodir, enfim, saciar a compulsão de andar sem cansar por destinos pacatos sem fim.

No desafio das longitudes, a magia das imensidões inabitadas consola o abandono do asfalto.

Indiferente aos segredos das matas e rios, o motor entre minhas pernas toca firme e ronca forte, jurando cumprir a nobre missão de rodar por rodar.

No lombo do bicho, exploro o prazer dos espaços abertos, da pilotagem saudável, do brinquedão cheio de apetite... Exercito o domínio da fúria e mergulho na arte de reger a sinfonia dos metais quentes, para conhecer o infinito e despertar a rosa dos ventos que refrescam o espírito.

Longo como uma solitária BR, o dia segue assim, no vigor do galope que rompe serras, engole planaltos, transpõe vales e risca outro mapa no meu diário de bordo.

Viajar de moto é isso e muito mais. Com todos os perigos e desconfortos desse prazer sem lógica...

Este e outros textos meus, sob apelido de Pedro Pedreira, estão na Usina de Letras. Clique aqui para ver.


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17 novembro 2005

DANCE


Conjunto de esculturas expostas no Jardim Botânico (Rio de Janeiro) Quando estive lá, não vi nenhuma identificação da obra nem do autor.

Concluí que se trata de um trabalho inteiramente inspirado em "Dance", um óleo de 1909, de Henri Matisse, hoje exposto no MOMA, em Nova Iorque.

Se eu estiver enganado ou mal informado, por favor, escrevam-me e me corrijam
(clicar em "profile", na coluna à esquerda, para ir à página interna; lá, tem meu e-mail no campo "contato").

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16 novembro 2005

PESQUISA APONTA 100 INTELECTUAIS NOTÓRIOS

A lista dos 100 intelectuais mais notórios do planeta, elaborada pelos leitores da Prospect e do portal Foreign Policy, sugere que a era dos grandes pensadores contestadores está encerrada, mas a vitória marcante de Noam Chomsky mostra que muitos cultivam certa nostalgia daqueles tempos.

Clique aqui para ler mais.


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13 novembro 2005

A COMPLICADA ARTE DE VER


Ela entrou, deitou-se no divã e disse:

" Acho que estou ficando louca".

Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.

"Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê".

Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra".

Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.

"Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.

Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver.

O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho".

Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram". Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram".


Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em Operário em Construção: "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção". A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados.


Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam...

Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo. Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças.

Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.

Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".


Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

(Rubem Alves)

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11 novembro 2005

PASSEIO EM VENEZA


Não sei por que, hoje acordei pensando em Veneza. Na cabeça, imagens da cidade e o pensamento cantarolando Que c'est triste Venise, belíssima e imortal, que há poucos dias ouvi na voz de Aznavour, no flog da Verluci...

Tudo que se refere a Veneza sempre me prende a atenção. Tenho uma "coisa" com esse lugar, mas ao mesmo tempo uma certa fobia por mares e rios. Como explicar isso? Coisa de outras vidas? Sei apenas que meus avós nasceram lá bem pertinho, ao lado de Veneza... Mas eu nunca estive por lá nesta vida.

Bem, como descobri uma página com uma bonita crônica sobre a cidade, onde a Lilian registra sua viagem até lá, com uma galeria de fotos, pensei em fazer o registro aqui, com os links para a página dela. Uma espécie de "passeio por Veneza", como aquele passeio pelo Alasca, que linkei neste Blog em 25/9/2005 (atalho abaixo) . Também postei a música do Charles Aznavour (cada vez que a gente ouve fica achando mais bonita!) com a letra em francês.

Clique aqui para ouvir a música e ver a letra
Clique aqui para fazer um passeio por Veneza(texto e galeria de fotos)
Clique aqui para rever o "Passeio ao Alasca nas quatro estações"

Bons passeios !!

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10 novembro 2005

HAROLD BLOOM:


“ESTAMOS NOS TORNANDO UMA TEOCRACIA”

Para quem não o conhece bem, é preciso dar uma idéia de sua dimensão intelectual. Ele é um dos mais famosos (e polêmicos) críticos de literatura dos Estados Unidos. Estudou em Harvard, é professor universitário, 31 livros publicados, Apaixonado por Shakespeare, amante da boa poesia, fã do Livro de Jo (Antigo Testamento), crítico de Platão, impiedoso com George Bush, inimigo declarado do feminismo... Polêmicas à parte, seu conhecimento e suas teses sempre acrescentam muito a quem ouve ou lê Harold Bloom.

Aos 75 anos e com problemas cardíacos, diz encerrar sua produção intelectual. Mas em lugar de sair de cena, ganha visibilidade com suas opiniões contundentes e enriquecedoras, que vão muito além da literatura.


Numa recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, conclui que “estamos nos tornando uma teocracia”. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.
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A BELEZA DO AZUL

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09 novembro 2005

O QUE HÁ DE ERRADO COM A EUROPA?

A FRANÇA EM CHAMAS:

Estamos longe dos tumultos na França, mas está na hora de aprofundar a análise dos acontecimentos e perceber seu contexto mais amplo.

Quase duas semanas de confusão nas ruas, a polícia e os bombeiros franceses tentam conter os tumultos e a violência pode estar se espalhando para outros lugares.


O que está por trás de tudo isso? Os protestos e a violência na França talvez sejam apenas o mais recente lance das antigas dificuldades da Europa em lidar com migrações internacionais.

É o que comenta uma equipe de jornalistas e analistas do Der Spiegel.

Clique aqui para ler a íntegra do artigo.

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08 novembro 2005

MOTORES: VEM AÍ O VW 1.4 COM 169 CAVALOS !


O que você acha de comprar um VW Golf com motor 1.4 ? Se você imagina que seria um carro frouxo, com pouco motor, pode estar completamente enganado!

Fiquei impressionado com as informações sobre o novo motor 1.4 Twincharger que a VW desenvolveu na Europa. Equipado com esse propulsor, o Golf chega com 169 cavalos, arranca de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos, com a máxima de 220 km/h, torque de 24 mkgf a partir de 1.750 rpm, o que deixa de ser uma curva para se tornar um "planalto de torque", com distribuição por igual até os 4.500 giros.

Quer mais? Em algumas retomadas é mais rápido que o Golf 2.0 aspirado... É mole? Ah, faltou falar do consumo: 10,4 km/l na cidade e 16,9 em estradas, pelo padrão de medição europeu.

A primeira dúvida que me ocorreu foi sobre a durabilidade. Seria um desses motores que andam muito e encerram a carreira muito cedo? O fabricante avisa que testou 250 carros com esse motor durante 300.000 km. Bem, basta lembrar que, se não prestasse, a fábrica não o colocaria em seu mundialmente consagrado Golf a partir de lançamentos na Europa.

Só falta saber qual é o segredo de um motor relativamente pequeno que consegue tal desempenho. Aí é quea gente vai entender o nome do motor: twincharger, ou seja, é equipado com compressor e turbo, que trabalham combinados.

Isso resolve o velho dilema: turbo é bom em alta rotação mas atrapalha em baixa. O compressor funciona bem em baixa, mas amarra em alta. O que a VW fez? Utilizou os dois recursos, gerenciados para entrarem em ação cada um a seu tempo, conforme o regime de rotação. Quando o compressor está em ação, a turbina fica desativada e vice-versa. O resultado parece ser um salto em tecnologia !

Se vamos ter motores VW 1.6 e 2.0 com o twincharger? Eu não tenho dúvidas. É só uma questão de tempo...

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07 novembro 2005


Ontem, domingo, fui conhecer o Borboletário, que acaba de ser aberto à visitação pública. Amigos, é um pequeno mundo onde a gente se põe em contato com uma das coisas mais belas e delicadas que a natureza produz.

Fica dentro do Zoológico de Brasília, que é o terceiro Zoo do país a possuir um viveiro desse tipo. O Borboletário do DF começa com centenas de borboletas de apenas 10 espécies, todas do cerrado, mas a variedade vai ser ampliada.

Os visitantes circulam dentro da grande bolha construída numa área de 230 metros quadrados, feita com armação de alumínio revestido por tela, que diminui em até 50% a incidência dos raios solares. Vale a pena conhecer. Não se esqueça de levar máquina fotográfica. De quinta a domingo, das 9 às 17 horas.

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Angeline Jolie, a número um na pesquisa das
100 mulheres mais sexy do mundo de 2005 (revista VIP)

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03 novembro 2005

AS NOVAS CAÇADORAS

Antes de mais nada, sei que o tipo de assunto abaixo, que rabisquei um dia desses, pode gerar irritação ou mal-entendido. Por isso, pensei antes de publicá-lo aqui. Sei que nessa onda do "politicamente correto" algumas pessoas podem encontrar argumentos para contestar quase tudo que se escreva e que se diga ou que se deixe de escrever e de dizer. Aliás, essa história de politicamente correto já está enchendo, transbordando e dando náuseas, não acham?

Mas tem coisa pior, como, por exemplo, a confusão que alguns fazem entre o escritor e sua ficção, entre o coração do poeta e a subversão de suas histórias, entre o caráter do criador e perdição da criatura...

Só estou publicando o tal texto porque, por mais contestadoras que possam ser algumas leitoras, hão de entender que se trata de um texto humorístico (publiquei na seção de humor da minha página literária e talvez o remova logo, para não ser apedrejado ou processado). Aí vai:

AS NOVAS CAÇADORAS
By Ricardo Zani

Muito antes do que se podia esperar, o desequilíbrio ecológico ultrapassou os limites dos rios, mares, florestas e de toda vida selvagem. Chegou, finalmente, à nossa vida amorosa e, quem diria, à nossa cama!!

Não, não é piada. Entenda o que está acontecendo. Isso pode ajudá-lo na nova luta pela sobrevivência. Segundo o Censo Demográfico de 2000, em muitas regiões brasileiras a população feminina já é maior do que a masculina. No Distrito Federal, por exemplo, existem 90 mil mulheres "em excesso", diferença que vem crescendo a cada ano. Sabe o que são 90 mil mulheres? É uma cidade!!

Tem mais: a maior parte desse "excedente" está em idade sexualmente ativa. Difícil para elas, confortável para eles. Nessa situação, a mulher tende a se tornar mais agressiva na paquera e o homem se acomoda... ou foge (palavras de um famoso especialista no assunto). Em muitos lugares, de caçador o homem está virando caça. Em meio a todo esse desequilíbrio da fauna urbana, muitas mulheres vão à luta e chegam a desenvolver habilidades de caçadoras. Dizem elas que uma das primeiras habilidades é saber distinguir os diferentes tipos de caças.

Eis o que ensina o faro aguçado dessas novas caçadoras:

HOMENS LEGAIS SÃO FEIOS.
HOMENS BONITOS NÃO SÃO LEGAIS.
HOMENS BONITOS E LEGAIS SÃO GAYS.
HOMENS BONITOS, LEGAIS E HÉTEROS SÃO CASADOS.
HOMENS BONITOS E SEM DINHEIRO ESTÃO DE OLHO NO DINHEIRO DELAS.
HOMENS NÃO TÃO BONITOS, MAS LEGAIS E COM DINHEIRO, ACHAM QUE ELAS ESTÃO ATRÁS DO DINHEIRO DELES.
HOMENS BONITOS, NÃO TÃO LEGAIS E HÉTEROS NÃO ACHAM QUE ELAS SÃO TÃO BONITAS.
HOMENS QUE AS ACHAM BONITAS, QUE SÃO HÉTEROS, RAZOAVELMENTE LEGAIS E TÊM DINHEIRO, SÃO GALINHAS.
HOMENS RAZOAVELMENTE BONITOS, LEGAIS E COM DINHEIRO, NUNCA TOMAM A INICIATIVA.
HOMENS QUE NUNCA TOMAM A INICIATIVA PERDEM O INTERESSE E CAEM FORA QUANDO ELAS TOMAM A INICIATIVA.


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01 novembro 2005

"SE NÃO COMPARECERDES..." Essa é muito boa!! Em muitos lugares, a administração pública ainda usa o "vós" em comunicados ao coitado do cidadão. Veja o texto hilário de uma intimação do INSS, com a análise inteligente e irônica de um colunista da Veja. Clique aqui.
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VISITA A DRUMMOND

Acabei de chegar do Rio, que continua lindo. Desta vez, foram dois prazeres em especial: caminhar no Jardim Botânico guiado pelos cinco sentidos e rever Drummond na praia de Copacabana (foto). Falei com ele e compreendi melhor seus sentimentos e pensamentos.

Para quem quer entender Drummond em bronze no banco da praia (ou "No banco dos réus", como refere o cronista), vale ler, abaixo, a crônica de Federico Ferino, um dos novos escritores do site Releituras.


No banco dos réus

Federico Ferino

A estátua de Carlos Drummond de Andrade no calçadão de Copacabana é um pequeno ato de justiça poética. Lá está ele, sentado num banco como um transeunte qualquer que saísse à tarde para dar um passeio no calçadão e sentisse doer-lhe os dedos dos pés. Classicamente sedentário. É verdade que nunca foi andarilho, como Gonçalves Dias, homem de sensibilidade oceânica e grandes espaços abertos. Mas também sabia que nosso céu tem mais estrelas, e nossa vida mais amores.

Sou do tempo do Brasil literário de Drummond. Naquela época, ainda havia poetas. Ele não era o único, é claro. Tinha a Cecília Meirelles. Tinha o Vinícius. Tinha o Manuel Bandeira. Tinha o Jorge de Lima, o Murillo Mendes. E a gente abria a revista e lá estava a crônica canora do Rubem Braga. Ou o texto culto e matizado do Paulo Mendes Campos. A leveza direta do Fernando Sabino e a leveza enviesada da Clarice Lispector. Mas nenhum brilhante faiscava como a poesia de Drummond.


Bandeira e Vinícius que me perdoem, mas aquilo era novidade absoluta no português brasileiro. Um crítico literário iniciante, um estagiário de jornal podiam destemidamente compará-lo a Dante ou a Shakespeare. Não havia perigo de errar, ou cair no ridículo. Ninguém acharia absurdo. Hoje, não. Hoje qualquer um põe em dúvida o seu legado literário, o seu lugar na hierarquia das nossas musas. Impunemente: ninguém reclama.

Por que em Copacabana? Drummond, rigorosamente mineiro, era também carioca de Copacabana. Ali viveu os últimos anos, os anos de medalhão — ou, como ele próprio diria, os anos de incerta medalha. Ali morreu, de infarto fulminante e de irremissível desolação. Pouco antes perdera a filha única, Maria Julieta. Morreu inconformado com as perdas, porque os ombros não suportam as dores do mundo.

O Drummond perpetuado em bronze nada tem de marinheiro ou de náufrago. Vivia à beira-mar, como o próprio Rio, mas também como o Rio não era marítimo. Era serrano. O poeta está de óculos e relógio de pulso. Não sei se em vida usou relógio. Talvez sim. Não nos esqueçamos de que era funcionário público exemplar. Lá estão a testa alta, de intelectual de caricatura, e os óculos de míope, atributos de sua persona pública, como a timidez e a pedra no caminho. E o relógio; vá lá, o relógio de pulso. Em todo caso, já não precisa ver as horas: virou eterno. E o tempo já não lhe soma, o tempo já não lhe subtrai.

Há quem reclame da sua posição de costas para o mar, como se ignorasse a formidável presença do Atlântico — o oceano terrível, o mar imenso com suas vagas mordendo a fulva areia. Pode um poeta de alto coturno, um poeta de homérica altitude, dar as costas acintosamente para o mar oceano? Lembremo-nos de que ele vinha de Itabira. E, se não era um Goethe roseano era, certamente, o mais machadiano dos sertanejos.

Carlos Heitor Cony é categórico: Drummond jamais ficaria de costas para o mar. Nem mesmo para a areia; quanto mais não fosse, pela nudez feminina das praias cariocas. Disse Cony numa crônica que Drummond, quando desiludido com os semelhantes, sentava-se num banquinho. De frente para o Atlântico, à procura de um ponto de fuga, de um horizonte de conciliação. Nessas ocasiões talvez abafasse um soluço, talvez lhe escorresse uma lágrima silenciosa. Esta é a diferença: estátuas não choram.

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